Por julia.sorella

Jerusalém - Milhares de ultra-ortodoxos judeus (haredim) se manifestaram nesta quarta-feira em Israel para protestar contra a detenção de um jovem dessa comunidade que não se apresentou nos escritórios do exército para prestar o serviço militar.

Segundo os organizadores, o jovem foi detido na cidade de Elad, 25 quilômetros ao leste de Tel Aviv, depois que um policial lhe pediu a identificação e percebeu que ele não tinha se alistado. Da delegacia, o jovem foi transferido para dependências das Forças Armadas, sob suspeita de deserção, onde um tribunal militar lhe condenou a dez dias de detenção, explicou hoje o jornal local "Yedioth Ahronoth".

Um judeu ultraortodoxo participa de manifestação contra a lei que determina o serviço militar obrigatórioEfe

A notícia fez com que milhares de haredins se manifestassem hoje em cidades como Eilat e Jerusalém para exigir a libertação do estudante e voltar a atacar a lei aprovada há uma semana pelo governo que obriga os ultra-ortodoxos a servir no exército como os demais israelenses. No porto de Ashdod, junto ao Mediterrâneo, os manifestantes conseguiram bloquear durante um tempo a entrada sul da cidade, segundo o site do "Yedioth Ahronoth".

A lei, que entrará em vigor plenamente em 2017 e inclui cotas de exceção similares às dos demais setores, acaba com um privilégio que mantinha desde a fundação do Estado de Israel esta comunidade, dedicada quase exclusivamente ao estudo dos textos sagrados. Na opinião dos ultra-ortodoxos, este estudo é o que sustenta o Estado de Israel e lhe concede razão de ser.

Uma semana antes da aprovação, mais de 300 mil ultra-ortodoxos colapsaram a cidade de Jerusalém, em uma histórica mobilização contra o governo de uma comunidade que representa 11% da população israelense e que alguns consideram um empecilho para a economia nacional.

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