Ucrânia perde quase toda sua frota de guerra na Crimeia

Navios, aeroportos e distintas unidades das Forças Armadas ucranianas foram dominados facilmente por tropas russas

Por O Dia

Kiev - A Ucrânia perdeu quase toda a sua frota de guerra que estava lotada na Crimeia, uma tragédia histórica para a marinha deste país, que em uma tentativa desesperada de preservar seus últimos navios, ordenou neste domingo que o grande navio de desembarque "Konstantin Olshansky", cercado pelas tropas russas, resista até o fim.

"Foram tomados navios na Crimeia. Apesar de terem sido dadas ordens a seus comandantes para que usassem armas, eles não as usaram para evitar derramamento de sangue", declarou neste domingo o ministro da Defesa ucraniano, Igor Teniukh.

Navio ucraniano tomado por tropas russasReuters


O "Olshansky" e o navio-varredor "Cherkassi" eram hoje as últimas embarcações de guerra ucranianas a ignorarem as ordens de rendição de militares russos nas águas do lago Donuzlav, do qual não podem sair para mar aberto porque que os russos afundaram duas embarcações ucranianas para fechar esta via de escape.

O navio de desembarque se pôs neste domingo em alerta de combate depois que lanchas russas se aproximaram. "O Olshansky tem todo o seu armamento a postos, e os marinheiros têm em mão armas de tiro", ressaltou Teniukh depois que alguns veículos de imprensa locais denunciaram que a tripulação não tinha armas para se defender do ataque.

Outros dois navios de guerra que até hoje navegavam sob bandeira ucraniana neste lago crimeano, o "Kirovograd" e o "Chernigov", obedeceram ordens das forças russas e atracaram, disse a imprensa ucraniana.

Há 24 horas, o Ministério da Defesa russo informava que 54 dos 67 navios da marinha ucraniana na Crimeia tinham arriado a bandeira ucraniana para passar às ordenes das forças navais russas.

Pouco depois, a Ucrânia perdeu nada menos que seu navio-almirante, o "Slavutych", e seu único submarino, o "Zaporozhiye".

"A tragédia de nossa frota na Crimeia terá que ser investigada. Cada segundo, cada milímetro, por todos os lados. (...) O povo vai exigí-lo com determinação", declarou hoje o ex-primeiro-ministro ucraniano Yevgeny Marchuk.

A Ucrânia parece resignada a perder suas últimas posses na Crimeia, entre elas valiosos navios e aviões, sem oferecer resistência e sem prestar apoio aos não poucos soldados leais que lhe restam na península.

Navio ucraniano tomado por tropas russasReuters


Navios, aeroportos e distintas unidades das Forças Armadas ucranianas que ainda guardavam lealdade a Kiev são dominados facilmente diante da inquestionável superioridade das tropas russas.

Soldados de Moscou e forças militares crimeanas, denominadas como forças de autodefesa da Crimeia, tomaram hoje o controle do Centro de Operações Psicológicas e de Informação da Armada ucraniana em Simferopol, capital da república incorporada durante a semana à Rússia.

Previamente, os militares russos deram dois últimos ultimatos ao centro para depois bloquear o acesso ao local com um veículo militar.

Após atacarem e tomares ontem à noite o controle da base aérea de Belbek, as forças pró-Rússia da Crimeia detiveram o comandante desse aeroporto militar, o coronel Yuli Mamchur, um dos primeiros a exigir do Ministério da Defesa da Ucrânia uma decisão sobre o futuro dos militares ucranianos na Crimeia.

A imprensa ucraniana informou hoje sobre a detenção de pelo menos outros dois oficiais na Crimeia, entre eles o comandante adjunto da marinha da Ucrânia para a Defesa do Litoral, o general Igor Voronchenko.

Somente depois destas detenções, o ministro da Defesa ucraniano anunciou por fim que nos próximos dias será tomada uma decisão sobre a evacuação de algumas unidades militares lotadas na Crimeia.

Homens armados que estariam a serviço da Rússia se protegem atrás de veículo blindado enquanto tomavam a base ucraniana de Belbek neste sábadoReuters


Essa decisão prévia, ainda não materializada em ordens concretas de retirada, foi tomada depois que vários comandantes das unidades ucranianas e navios de guerra com base na Crimeia fizeram no fim de semana duras críticas à cúpula política e militar do país.

Os oficiais denunciaram o descaso dos comandantes militares e políticos do país em decidir os passos que devem ser seguidos pelos soldados que não querem render seus destacamentos às tropas russas.

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