Por clarissa.sardenberg

Egito - O Tribunal Penal de Minia adiou nesta terça-feira para 28 abril o julgamento de 683 membros e partidários da Irmandade Muçulmana - entre eles seu guia espiritual Mohammed Badía - acusados de participar de ataques violentos em Al Edua, na província de Minia (sul do Cairo).

A agência oficial de notícias, Mena, informou ainda que esse dia a sentença será ditada, coincidindo com a decisão sobre a pena de morte à qual foram condenados ontem mais de 500 simpatizantes da confraria - que deve ser pronunciada no mesmo tribunal.

Líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed BadieReprodução Internet

As acusações dos 683 islamitas julgados hoje são referentes aos distúrbios que aconteceram após o violento despejo das manifestações islamitas das praças de Rabea al Adauia e Al-Nahda (ambas no Cairo), em meados de agosto passado, onde centenas de pessoas morreram. São acusados de atacar instituições públicas e a delegacia do distrito de Al Edua, além de alterar a ordem pública.

Um dos advogados de defesa, Ahmed Shabib, disse que a defesa boicotou o julgamento "porque o juiz infringe a lei em vez de aplicá-la e pelo que aconteceu ontem", em referência à condenação à morte, pelo mesmo tribunal, de mais de 500 simpatizantes da Irmandade Muçulmana.

Protestos

A polícia disparou gás lacrimogêneo nesta terça-feira para dispersar manifestantes contrários aos julgamentos em massa de membros da Irmandade Muçulmana na cidade de Minya, sul do Egito, disse uma testemunha.

Cerca de 700 pessoas fizeram manifestações na Universidade de Minya depois que o líder da Irmandade e outros 682 integrantes do grupo foram a julgamento por conta de acusações que incluem assassinato, um dia depois de mais de 500 simpatizantes do presidente islamita deposto Mohamed Mursi serem sentenciados à morte.

?O julgamento de Mohmed Badie, de 70 anos, e de seguidores seus começa um dia depois de o mesmo tribunal, na província de Minya, condenar à morte 529 membros do grupo islâmico, no que entidades de direitos humanos disseram ser a maior sentença coletiva à pena capital na história moderna do Egito.

A Irmandade tem sido duramente reprimida desde julho, quando o Exército depôs Mursi, da Irmandade, o primeiro presidente democraticamente na história egípcia.

Apoiadores da Irmandade Muçulmana e do presidente deposto Mohamed Mursi em protesto no CairoReuters

*Com informações da EFE e Reuters

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