Rússia diz que Ocidente chantageou membros da ONU pela Crimeia

Assembleia geral das Nações Unidas decidiu que incorporação de região da Ucrânia pelo país de Putin é inválida

Por O Dia

Rússia - Moscou denunciou nesta quinta-feira que o Ocidente chantageou e forçou vários países a apoiarem a resolução aprovada ontem pela Assembleia geral da ONU sobre a integridade territorial da Ucrânia e a invalidade da incorporação da Crimeia à Rússia. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia se referiu a uma "pressão imperdoável, incluindo a chantagem política e ameaças econômicas, exercido sobre um grupo nutrido de países para que votassem a favor" da resolução.

A Chancelaria, em comunicado publicado em seu site, lamentou "a perseverança, merecedora de um uso melhor, com que Kiev e seus 'advogados' estrangeiros tentam distorcer os alarmantes processos que ocorrem na Ucrânia". "Foi usado à exaustão o que restou da máquina de propaganda da Guerra Fria para tirar importância da crise política mais profunda na Ucrânia e jogar a culpa pelo aumento da tensão na Federação da Rússia", diz o comunicado.

Putin e líderes durante assinatura de acordo de integração da Crimeia à Rússia no Grande Palácio do KremlinReuters

O embaixador russo perante a ONU, Vitali Churkin, assegurou ao Canal Um da televisão russa que "muitos países se queixaram de haver sofrido uma pressão colossal por parte de países do Ocidente para apoiar a resolução". "Pelo visto, a tática de pressão que nossos colegas ocidentais utilizam teve certo êxito, já que alguns países votaram sim, embora tenham feito das tripas coração", criticou Churkin.

Decisão da ONU

A Assembleia geral da ONU aprovou nesta quinta-feira uma resolução que apoia a integridade territorial da Ucrânia, assinala que o referendo da Crimeia "não é válido" e pede que se resolva pacificamente a crise criada por sua anexação à Rússia.

Em um texto não vinculativo aprovado por 100 votos a favor, 11 contra e 58 abstenções, a Assembleia ressaltou que a consulta popular de 16 de março na península da Crimeia "não tem validade" porque "não foi autorizada" pelo governo de Kiev. Votaram contra países como a Nicarágua, que também condenou as sanções econômicas contra a Rússia impostas pelos EUA e a UE, e Cuba, que criticou "o dois pesos e duas medidas e a hipocrisia" da posição da Otan neste conflito.

A favor da resolução aprovada se pronunciaram diversos países da América Latina, como o Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Panamá e Peru. Junto à Rússia, votaram contra a Armênia, Belarus, Bolívia, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua, Sudão, Síria, Venezuela e Zimbábue, enquanto China, Índia e outros latino-americanos como Brasil, Argentina, Equador e Uruguai se abstiveram.

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