Doar cabelos: um gesto que ajuda na luta contra o câncer

Uso de perucas aumenta autoestima de pacientes que perderam os fios

Por O Dia

Rio - O simples ato de cortar e doar as madeixas pode ajudar mais do que se imagina pacientes com câncer que perderam o cabelo em função da quimioterapia. O uso de perucas, confeccionadas com mechas naturais, aumenta a autoestima das pessoas doentes e pode amenizar efeitos colaterais do tratamento.

As adolescentes são as que mais sofrem com a queda de cabelo, segundo a presidenta da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, Carla Macedo. “Isso mexe com a fisionomia e, claro, com a autoestima das meninas.” A médica conta que a mudança no visual renova as forças para encarar a doença. Uma de suas pacientes, de 17 anos, nunca tira a peruca que ganhou.

Mariana quis doar após uma prima ter sido vítima de câncer de mama Carlo Wrede / Agência O Dia

O câncer afeta diretamente a aparência. Além da perda de cabelos e sobrancelhas, a palidez e as mucosites (processos inflamatórios que surgem na boca) são comuns, explica a médica. “Tudo o que a gente pode fazer para diminuir essa sensação de inferioridade e levantar o astral delas é válido.”

Diversos grupos arrecadam doações. No Rio, o salão de beleza Varanda do Cabelo, no Centro recebe as mechas e confecciona as perucas, que são levadas ao Instituto Nacional do Câncer. Em decorrência das campanhas nas redes sociais, o Inca distribuiu 678 perucas em 2013 e possuiu até estoque. Patrícia Barroso, técnica de enfermagem, 24 anos, foi uma dessas doadoras. “Eu nem sabia que podia. É ótimo saber que um gesto seu fez alguém feliz”, diz a jovem. A jornalista Mariana Montenegro, 25, também procurou o salão carioca porque uma prima teve câncer de mama. “Resolvi mudar o visual e aproveitei para ajudar. Minha prima deu a ideia, pesquisei e fui até o Varanda”, diz.

Carolina cortou 40 centímetros de suas madeixas. E já está deixando crescer para doar novamenteMonalisa Marques/ Uma Pessoa Por Dia

A Fundação Laço Rosa (www.fundacaolacorosa.com) é uma das alternativas. A ONG recebe pedidos e doações do Brasil todo. Desde 2011, já beneficiou mais de 500 mulheres e meninas. A estudante Carolina Erthal, 23 anos, cortou mais de 40 centímetros de seus cabelos. “Fiz o bem sem olhar a quem. Estou deixando crescer para doar de novo”, afirma, empolgada.

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