Coreia do Sul - Nos momentos caóticos que antecederam a submersão da balsa sul-coreana Sewol nas águas geladas do Mar Amarelo, 48 meninas obedeceram as ordens dos membros da tripulação e colocaram seus coletes salva-vidas. Talvez por estarem com medo, todas se amontoaram em um quarto individual destinado a 30 pessoas. Nenhuma delas sobreviveu.
A recuperação dos corpos das meninas, anunciada nesta sexta-feira pelas equipes de resgate, oferece um vislumbre dos últimos momentos a bordo da balsa, que naufragou no último dia 16 com 476 pessoas a bordo.
Esse novo fato também oferece uma luz à difícil tarefa dos mergulhadores em tentar recuperar corpos, diminuindo a pequena esperança das famílias dos desaparecidos de que talvez, em algum lugar a bordo, alguém possa permanecer vivo.
Será que esse fardo pesado vai encabeçar todo o restante das buscas após o desastre? Parentes das pessoas que estavam a bordo têm se entristecido com as informações sobre o aumento do número de mortos.
Mergulhadores que participam dos resgates falam em uma verdadeira floresta de objetos flutuantes, portas forçadas pela enorme pressão da água e de correntes que arrastam seus tubos de respiração que os mantêm vivos enquanto procuram por mais corpos.
O mergulhador Civil Chun Kwan-geung, que integra uma das muitas equipes de resgate nas águas turvas sul-coreanas, informou que teve de quebrar janelas para chegar às plataformas mais baixas do navio, que está agora no fundo do mar a aproximadamente 73 metros da superfície.
"Os mergulhadores já procuraram em todos os lugares de fácil acesso. Eles esperam que as buscas se ??tornem mais difíceis por causa das crescentes correntes marítimas e condições climáticas rigorosas. Mas a Marinha não vai parar até que o último corpo seja encontrado", afirmou o capitão da marinha sul-coreana Kim Jin-hwang, comandante das operações de resgate.
De acordo com informações mais recentes sobre o resgate, os mergulhadores de Jin-hwang estão tentando encontrar caminho para ter acesso a outro quarto em estilo dormitório, onde acredita-se que outras 50 meninas devam ter se reunido quando o navio começou a afundar.
Até agora, as equipes de resgate recuperaram 185 corpos. Outras 117 pessoas continuam desaparecidas. Ninguém mais foi retirado com vida da água após o resgate de 174 no dia em que a balsa afundou. Enquanto os esforços continuam, as autoridades sul-coreanas pressionam investigação criminal sobre o naufrágio, o que já resultou na prisão do comandante do navio e outras dezenas de pessoas da tripulação.
Promotores em Mopko, Coreia do Sul, que estão conduzindo a investigação, disseram à CNN nesta sexta que as autoridades ainda não conseguiram determinar o que causou o naufrágio. As principais teorias incluem as alterações feitas para aumentar a capacidade de passageiros do navio e o deslocamento de carga.
Na escola onde estudavam os alunos mortos no naufrágio, as aulas foram retomadas na quinta (24), com uma homenagem com flores e fotos das vítimas, uniformizadas. Abatidos, outros alunos deixavam crisântemos brancos no local ao chegar para as aulas. Fitas amarelas com nomes e mensagens para os mortos foram amarradas na cerca do local.