Videogame se torna tratamento anticâncer

Jogos com sensores de movimentoaumentam confiança, equilíbrio e até a imunidade de pacientes

Por O Dia

Rio - Videogames sem fios, em três dimensões e com detector de movimentos são a nova aposta de uma clínica carioca para estimular pacientes com câncer a se exercitarem. Jogos que simulam a prática de esportes do console Nintendo Wii têm aumentado a confiança, o equilíbrio e a imunidade de quem enfrenta tratamentos invasivos como a quimioterapia.

Quinze minutos, uma vez por semana, são suficientes para mudar a realidade dos doentes. Em uma consulta de rotina, Rafaela Magalhães, 34 anos, se surpreendeu com a novidade. Paciente há seis meses do Instituto Clínicas Oncológicas Integradas (COI), a consultora tributária já gostava de videogames, mas não tinha o hábito. A experiência foi aprovada por ela. Durante o tratamento, Rafaela evita tomar sol e se sente muito cansada. “A doença nos afasta da rotina de exercícios, principalmente ao ar livre. Foi ótimo ver meu corpo funcionando de novo,” disse a mulher, que luta contra um câncer de mama.

A atividade lúdica é acompanhada de um questionário elaborado pela equipe médica. Antes e depois de jogarem, todos respondem perguntas sobre humor, sentimentos e disposição.

O paciente marca em que intensidade, de 0 a 4, se sente tenso, irritado, enérgico, feliz e triste, entre outros estados de humor. Segundo a médica hematologista e uma das diretoras da COI, Juliane Musacchio, as comparações entre os relatórios já mostram várias mudanças positivas. “Os jogos aumentam a autoconfiança e os deixam mais dispostos. Como o psicológico é fundamental para a saúde do corpo, ajuda na imunidade,” garante a especialista.

A ideia de levar o videogame para dentro da clínica, ambiente normalmente tenso e onde ninguém gostaria de estar, surgiu através de leituras da médica sobre experiências parecidas na escola Steuart W. Weller d’Ashburn, na Vírginia, EUA. Crianças autistas jogam Kinect, semelhante ao Nitendo Wii,. mas do console Xbox. “Perecebi que isso poderia ser estendido para os meus pacientes”, disse.

As sessões, sempre com a supervisão de professor de Educação Física, atingem todas as idades. A adaptação é rápida e simples. Juliane conta que uma de suas pacientes idosas não saía de casa e agora que participa das ‘aulas’ dá voltas no quarteirão. O aposentado Edel Arruda, 73 anos, também se beneficiou. “Meu preferido é o futebol. Ganhei disposição. Meus sentidos estão mais apurados”, relata, animado.

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