Por felipe.martins

Rio - Não é só o Teste do Pezinho que detecta problemas graves nos recém-nascidos. Poucas mães sabem, mas nas primeiras horas de vida, os bebês devem ser submetidos ao Teste do Quadril. Feito pelo pediatra, o exame consegue detectar problemas na região e evitar que a criança fique manca.

O procedimento é simples. O médico movimenta as pernas e o quadril do bebê, que deve ser deitado em uma maca, em ambiente aquecido. A ação serve para analisar as articulações e a estabilidade da região. De acordo com o ortopedista do Centro de Ortopedia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), Pedro Henrique Mendes, o exame consegue detectar duas doenças: luxação congênita de quadril e instabilidade de quadril.

Médicos devem fazer movimentos nas pernas e no quadril do bebêIstock

Ele explica que a luxação ocorre quando o quadril fica ‘fora do lugar’ e ‘desencaixado’. Nesse caso, a criança pode ficar com uma perna maior do que a outra, mancar e ter maior risco de desenvolver lordose lombar. Os sintomas aparecem na infância, quando os pequenos começam a andar.

“Na instabilidade de quadril, há o risco de o local desencaixar quando a criança faz esforço, mas os sintomas são os mesmos da luxação”, disse o especialista. Segundo ele, não há causa definida para os problemas, mas alguns fatores podem estar relacionados: posição uterina; sexo feminino; filho de mãe da primeira viagem e jovem, além de história familiar das doenças.

Into oferece tratamento das doenças. “Por mês, atendo, pelo menos, uma criança com o mal. A maioria vem com mais de um ano”, diz Pedro Henrique Mendes.

Boa resposta até os seis meses

Para que a resposta seja melhor, o tratamento deve ser feito até os seis meses de vida. Nesse caso, diz Pedro Henrique, o cuidado é feito com um dispositivo chamado suspensório de Pavlik, que mantém a estabilização. A criança fica com as tiras de tecido por cerca de dois meses. “Em 95% dos casos só o suspensório melhora o mal”.

Após os seis meses, o suspensório não tem efeito e o tratamento é feito com gesso. Depois de um ano, apenas cirurgia ajuda os pequenos, e somente em alguns casos. Segundo o ortopedista, após os 8 anos de idade, não há mais medidas a serem tomadas.

“O teste é uma medida barata que pode prevenir muitos problemas sérios. Por isso deve ser feito”.

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