Por julia.sorella

Montevidéu - Um grupo de 28 pescadores de Serra Leoa e Gana fez uma denúncia de trabalho escravo em barco chinês, no Uruguai. Pescadores relataram terem sido vítimas de maus-tratos e desnutrição na embarcação que atracou em Montevidéu, informaram nesta quarta-feira fontes do governo e sindicais.

Os pescadores desembarcaram em péssimas condições físicas na capital uruguaia durante o fim de semana e denunciaram no sindicato da categoria e para as autoridades a situação no barco, no qual estavam há sete meses trabalhando sem receber salário. Além disso, os homens acusaram os donos do barco pesqueiro de golpeá-los, humilhá-los, negar água potável e fornecer apenas arroz com sal nas refeições, explicou nesta quarta-feira à Agência Efe Carlos Vega, secretário-geral do Sindicato de Trabalhadores do Mar do Uruguai (SUNTMA).

O governo uruguaio informou em comunicado que se inteirou do caso na terça-feira, forneceu assistência médica aos afetados e encaminhou uma denúncia apresentada pelo representante legal dos africanos para um tribunal de Montevidéu. "Não é possível que em pleno século 21 exista escravidão, pois as condições destes companheiros era de escravidão. Alguém precisa responder pelos pescadores, sua saúde e salários", disse Vega.

Segundo o secretário-geral, os trabalhadores foram contratados na Libéria por uma empresa chinesa e embarcaram em uma frota de três navios dessa nacionalidade dedicados à pesca de lula. "Eram três barcos que operavam na zona, mas só um deles desembarcou todos seus tripulantes. Sabemos que outro dos navios foi embora ao saber o que ocorria", disse Vega.

Os pescadores apresentaram a denúncia depois que um grupo deles que caminhava pelo porto de Montevidéu encontrou um trabalhador africano sindicalizado e decidiu apresentar a denúncia. "Eles tinham medo de fazer a denúncia, não conheciam o país, nem o idioma, por sorte no sindicato temos companheiros que puderam ajudar. Isso levou à denúncia da barbárie", afirmou.

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