Obama anuncia término de 'guerra mais longa dos Estados Unidos'

Presidente dos EUA disse que o país terminará sua missão no Afeganistão no final de 2014 e manterão alguns soldados apenas com um 'papel de assessores'

Por O Dia

Washington - O presidente Barack Obama disse nesta terça-feira que os Estados Unidos encerrarão sua missão no Afeganistão no final deste ano e manterão apenas 9,8 mil soldados, além de não limitarem sua presença às necessidades diplomáticas até 2016.

"Este é o ano em que vamos terminar a guerra mais longa dos Estados Unidos de uma forma responsável", garantiu o presidente no anúncio sobre o nível de tropas após o fim da missão da Otan. "Nossa missão terminará no final de 2014 e só manteremos um papel de assessores, não vamos voltar a patrulhar o Afeganistão, isso será algo que deixaremos para o povo afegão", explicou o presidente nos jardins da Casa Branca.

"Os Estados Unidos não buscaram esta luta, fomos ali por necessidade, depois que nossa nação foi atacada pela Al Qaeda", lembrou o presidente, que acrescentou que os soldados estiveram no país "por mais tempo do que qualquer um pudesse esperar". Obama disse que este é o momento de "virar a página" de uma década de política externa marcada pelas guerras do Afeganistão e Iraque, algo que lembrou um dia antes de dar um discurso sobre sua política externa na academia militar de West Point.

Obama faz discurso em jardim da Casa Branca sobre a retirada de soldados do Afeganistão%2C nesta terça-feiraReuters

Os 13 anos de conflito dos EUA estão ligados aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, que motivaram a invasão do Afeganistão e depois aumentaram a mortífera Guerra do Iraque entre 2003-2011. Os Estados Unidos manterão após o fim da missão da Otan no Afeganistão, na qual participam 48 países, com um total de 51.000 soldados, um papel centrado em duas missões: treino das Forças Armadas afegãs e operações de contraterrorismo.

O líder esclareceu que para que a estratégia de retirada do Afeganistão seja realizada, será preciso assinar o mais rápido possível um acordo bilateral estratégico com o governo que sair do segundo turno das eleições presidenciais afegãs, que porão um fim no mandato de Hamid Karzai. Segundo este acordo, os Estados Unidos reduzirão até finais de 2015 à metade sua presença militar, até algo menos de 5 mil soldados e só em instalações militares em Cabul e na base aérea de Bagram, ao norte da capital afegã.

Para o fim de 2016, será terminada a transição com a manutenção dos soldados militares necessários para o trabalho requerido pela embaixada americana em Cabul, do mesmo modo que agora acontece no Iraque, onde a retirada foi completada há algo menos de três anos. Os 9,8 mil soldados americanos que permanecerão no Afeganistão desde começo de 2015 se somarão ao pessoal de outros parceiros da Aliança Atlântica (Otan), embora esse destacamento será determinado nos próximos meses, segundo indicou um alto funcionário da Casa Branca.

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