Por bferreira

Rio - Mais da metade dos partos feitos no Brasil (52%) entre 2011 e 2012 foram cesarianas, segundo pesquisa divulgada ontem pela Fiocruz. Nos hospitais particulares, a decisão é quase unânime, e alcança 88% dos nascimentos. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é de que os partos cirúrgicos sejam no máximo 15% do total em um país.

Os dados refletem uma realidade preocupante, segundo a coordenadora da pesquisa ‘Nascer no Brasil’, Maria do Carmo Leal. “A cirurgia têm sido feita como primeira opção em partos avaliados como de baixo risco, que não têm indicação para cesária”. Os números indicam ainda que elas podem estar sendo ‘convencidas’ por seus médicos a fazer cirurgias, já que do total de mulheres ouvidas, 72% queriam parto normal logo que engravidaram. Nos hospitais particulares, o índice das que queriam cesárea era de 36% no começo da gravidez. Mas, no fim, a proporção havia subido para 67%. Entre as mulheres atendidas na rede pública, 15% queriam a cesárea tanto no início quanto no fim da gestação — 44% tiveram seus bebês dessa forma.

“O médico tende a preferir a cesariana porque ele não precisa assistir horas de trabalho de parto. Marca três cesáreas na agenda e faz as três”, comentou Suzana Granado, outra pesquisadora. A banalização da prática tem implicações graves para a saúde da mãe e do recém-nascido. “Aumenta o risco de a futura criança ter obesidade, diabetes, asma e alergias”, explica. “Visitamos uma cidade de interior que criou o ‘dia da cesárea’: um médico de outro município ia fazer até dez num dia”, contou.

Atendimento ruim nas maternidades

De acordo com a pesquisa, 16% das mulheres tiveram que ‘peregrinar’ até encontrar uma maternidade que as atendesse quando já estavam em trabalho de parto, situação que aumenta os riscos de complicações para elas e para o bebê. O motivo principal foi a falta de médicos, materiais ou equipamentos indispensáveis.

Além disso, a maioria dos hospitais avaliados tendia a submeter a mulher a intervenções médicas consideradas desnecessárias. Grande parte delas ficou restrita ao leito, sem se alimentar; usou medicamentos para acelerar as contrações; deu à luz deitada; e, muitas vezes, com um médico apertando sua barriga.

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