Por clarissa.sardenberg

Tailândia - A junta militar que assumiu o poder na Tailândia libertou nesta sexta-feira dois jornalistas e um universitário, e intimou mais opositores dos "camisas vermelhas", parte da operação para silenciar a dissidência.

As autoridades indicaram que as pessoas colocadas em liberdade não podem falar de política em público nem sair da cidade de residência sem autorização oficial. Um dos jornalistas é o tailandês Pravit Rojanaphruk, do jornal "The Nation", cuja libertação foi reivindicada por organizações da imprensa do Sudeste Asiático desde que se apresentou à convocação dos militares golpistas, no domingo.

Pedestres fazem selfie com soldados na Tailândia Reuters

O outro colega que recobrou a liberdade é Thanapol Eiwsakul, editor da revista "Fah Diew Gan", que estava detido desde sexta-feira. A lei marcial que rege a Tailândia desde 20 de maio, dois dias antes do golpe, não permite a detenção de uma pessoa por mais de sete dias sem a apresentação formal de acusações.

Por outro lado, 16 "camisas vermelhas", grupo partidário do governo deposto, tinham de se apresentar hoje ao Conselho Nacional pela Paz e a Ordem, o nome oficial da junta militar. Suporn Atthawong, um dos dirigentes dos "camisas vermelhas", anunciou ontem à noite que deixaria a política após readquirir a liberdade.

Soldado recebe flores de simpatizante de junta militar na Tailândia Reuters

Ele ficou seis dias detido em um quartel, segundo o jornal "Bangcoc Post". O chefe do exército da Tailândia, Prayuth Chon-ocha, deu um violento golpe de Estado em 22 de maio para, alegou, garantir a lei e a ordem após meses de manifestações populares que deixaram 28 mortos e mais de 800 feridos.

O governo e o legislativo foram dissolvidos, a Constituição suspensa, declarado o toque de recolher, censurado a imprensa e intimadas menos 270 pessoas. Desde a queda da monarquia absolutista, em 1932, a Tailândia sofreu 12 golpes de estado.

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