Por bferreira

Rio - O Brasil ganhou seu primeiro centro especializado em hanseníase de padrão internacional. O Ambulatório Souza Araújo, do Instituto Oswaldo Cruz, em Manguinhos, recebeu certificado de excelência da Joint Comission International, a mais antiga comissão a avaliar estabelecimentos e métodos laboratoriais nos Estados Unidos. O Brasil registra 300 novos casos ao ano e ocupa o segundo lugar no ranking mundial da doença, atrás apenas da Índia.

Pacientes com suspeita de hanseníase chegam ao ambulatório encaminhados por unidades hospitalares de dentro e fora do Estado do Rio. Lá, são atendidos por dermatologistas, fazem exames e, dependendo do tipo e estágio da doença, são assistidos por neurologistas e fisioterapeutas.

O centro também conta com o apoio de assistentes sociais que dão esclarecimentos gerais sobre a doença, e as implicações para sua vida familiar e trabalhista. “Uma das primeiras coisas que a pessoa precisa saber é que a hanseníase tem cura. Os pacientes chegam apavorados, acham que partes do corpo vão necrosar, como era antigamente”, comenta a enfermeira Nádia Duppre.

Segundo o hansenólogo e responsável clínico pelo ambulatório, José Augusto Nery, o paciente precisa ser muito bem orientado para que o preconceito contra quem tem a doença deixe de existir, para ele próprio, e para os familiares. “Logo que se inicia o tratamento, o potencial de transmissão da doença cai para 10%”, explicou.

SEM PRECONCEITO

O auxiliar de serviços gerais G., 25 anos, ficou abalado ao constatar que, além de seu pai, ele também tinha contraído hanseníase. “Fiquei preocupado de isso mudar a forma de me relacionar com meus amigos e minha namorada, e com medo de contaminá-los”. Há quatro anos com a doença, ele diz que, apesar do diagnóstico, a vida continua a mesma. “A doença não mudou quase nada. Minha namorada e meus colegas continuam vindo dormir na minha casa, saímos e eu também durmo na casa deles”, contou.

Transmissão não é fácil

Não é possível contrair hanseníase em apertos de mão ou abraços; e ao usar vaso sanitário, toalhas (de rosto ou de banho) ou utensílios domésticos compartilhados com o doente. A mãe gestante também não transmite para o filho. O bacilo pode ser transmitido pela fala, espirros e tosses. Conversas curtas, como “bom dia” e “boa tarde”, não oferecem risco. Apenas no convívio constante os bacilos da doença podem afetar de forma significativa o organismo de familiares. E isso somente se o doente ainda não tiver iniciado o tratamento.

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