Por bferreira

Rio - Paraplégicos brasileiros ganharam uma chance para recuperar seus movimentos. Quatro cadeirantes de São Paulo e de Santa Catarina participaram de uma nova cirurgia trazida para o Brasil por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A descoberta amplia a sensibilidade dos membros e, junto à fisioterapia, possibilita que eles deem passos com ajuda de um andador.

A primeira experiência no país foi feita em dezembro. Quatro eletrodos programados para serem controlados pelo paciente são implantados junto aos nervos ciático, femural e pudendo, que são responsáveis por comandar os membros inferiores.

A ferramenta emite baixas descargas elétricas para estimular os músculos que atuam no domínio das pernas, bexiga, reto, uretra e ânus. A técnica promete revolucionar a vida de pacientes com lesão na medula, que têm seus movimentos comprometidos. Chamado de ‘Implante Laparoscópico de Neuroprotese’, o método foi criado na Suíça.

Hoje, alguns planos de saúde já cobrem o procedimento em todo o país. Ainda não há, contudo, previsão para ser incluído no Sistema Único de Saúde (SUS).

O primeiro brasileiro da fila foi Francisco Moreira, 25 anos, de Santa Catarina. O estudante de medicina sofreu acidente com snowboard quando tinha 20 anos, e teve uma lesão medular grau B, que consiste na paralisia motora completa.

Como resultado da cirurgia, ele agora sente as pernas mais fortes, fica de pé, melhorou o equilíbrio, caminha na piscina e consegue virar o corpo para todos os lados. Na última semana, deu seu primeiro passo fora d’água com ajuda de um andador. “Esse foi o maior ganho. Faria a cirurgia toda de novo só por isso”, contou, realizado.

O tratamento é caro. A cirurgia custa R$ 300 mil e as sessões de fisioterapia chegam a R$ 5 mil mensais. A bateria do aparelho, no valor de R$ 100 mil, precisa ser trocada a cada 10 anos.

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