Terroristas matam 49 pessoas que viam jogo da Copa na TV

Grupo de radicais islâmicos passou atirando a 30 km de cidade turística do Quênia

Por O Dia

Quênia - As 49 pessoas que morreram no ataque terrorista da noite de domingo na cidade costeira de Mpeketoni, no Quênia (África), estavam reunidas num salão com TV assistindo à transmissão de jogos da Copa do Mundo, informou ontem a Cruz Vermelha queniana. A ação foi assumida pelos islamitas do grupo Al-Shabaab, ligados à rede Al-Qaeda. Foi a investida mais violenta desde o atentado, cometido pelo mesmo grupo, ao shopping Westgate, da capital do país, Nairóbi, em setembro de 2013. Naquela ocasião, morreram 67 pessoas.

Quase 50 homens participaram do massacre de domingo, no local que fica a 30 km da cidade turística de Lamu, classificada como patrimônio da humanidade pela Unesco. O porta-voz do Exército queniano, Emmanuel Chirchir, disse que os agressores invadiram a cidade e dispararam de três veículos contra as pessoas que estavam ao longo do caminho. Vários hotéis, restaurantes, bancos e escritórios do governo ficaram destruídos.

“Eles eram tantos, e todos portavam armas. Eles entraram no salão da TV onde nós estávamos vendo um jogo da Copa do Mundo e atiraram indiscriminadamente em nós”, contou Meshack Kimani à agência Reuters, por telefone. “Eles atiraram somente nos homens, mas eu tive sorte. Escapei me escondendo atrás da porta”, completou a testemunha.

Os insurgentes também tentaram tomar o controle de um posto policial e seu arsenal, mas foram expulsos pelas forças de segurança, de acordo com o chefe de polícia local, Benson Maisori. Cafés e bares estavam lotados de clientes que tinham ido assistir à Copa pela televisão. “Eram 50 rebeldes, fortemente armados. Eles empunhavam a bandeira do Al-Shabaab e falavam em somali. Gritavam ‘Allahu Akba’ (‘Alá é o maior’), relatou.

O governo do Quênia já tinha informado que estaria em alerta durante a Copa do Mundo, para garantir que os locais públicos de exibição dos jogos fossem seguros. A expectativa, ontem, era de que fossem achados mais corpos.

Ações contra o governo

Depois de assumirem a autoria dos ataques de ontem, os terroristas ainda afirmaram que os turistas e estrangeiros residentes devem deixar o Quênia. Através de comunicado, disseram ter praticado vingança contra o governo local, que “oprime brutalmente os muçulmanos através da coação, intimidação e assassinatos ilegais de acadêmicos”.

Os ataques do Al-Shabaab têm se multiplicado recentemente no Quênia. Os milicianos são da Somália.  A cidade-alvo de ontem, Mpeketoni, fica no litoral no Oceano Índico, ao norte de Mombasa, principal porto do Quênia, perto da fonteira somali.

Em 2011, o Exército queniano enviou soldados para combater o grupo islâmico na própria Somália.

Depois da ação no shopping em 2013, o Al-Shabaab anunciou que lançaria mais ataques para forçar a saída das tropas quenianas da Somália. O Quênia, porém, afirmou que não removerá seus soldados.

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