Sarkozy passa por 14 horas de interrogatório e continua detido na França

Ex-presidente da França está sendo acusado de tráfico de influência e violação do segredo de instrução de outros casos abertos contra ele

Por O Dia

Paris - Nicolas Sarkozy, o primeiro ex-presidente da França que presta depoimento na condição de detido, continua na sede da Polícia Judiciária em Nanterre, nos arredores de Paris, após 14 horas de interrogatório nesta terça-feira. O político conservador, chefe do Estado francês entre 2007 e 2012, prestou depoimento na presença de um advogado sobre a acusação de tráfico de influência e violação do segredo de instrução de outros casos abertos contra ele.

Sarkozy pode permanecer até 48 horas sob a jurisdição da Polícia Judiciária, aonde chegou esta manhã em um carro com vidros escuros. Ao fim do depoimento, Sarkozy pode ser formalmente acusado desses crimes, colocado como simples testemunha ou declarado "testemunha assistida", uma figura jurídica que se situa entre as duas anteriores.

A decisão judicial é particularmente delicada porque pessoas próximas a Sarkozy e o próprio ex-presidente estão preparando o terreno para seu retorno à política, de olho nas eleições de 2017. Se for declarado culpado, Sarkozy pode pegar uma pena máxima de cinco anos de prisão e multa de até 500 mil euros.

Polícia francesa bloqueia local onde ex-presidente Sarkozy presta depoimento Reuters

Também prestaram depoimento no caso seu advogado, Thierry Herzog, e dois altos magistrados franceses, Gilbert Azibert e Patrick Sassous, para verificar se o ex-chefe de Estado e seu entorno criaram uma rede de informação que os mantinha cientes da evoluçãodos processos judiciais que ameaçam o político.

Os investigadores gravaram conversas telefônicas de Sarkozy, e suspeitam que seu advogado recebia informações de conselheiros do Tribunal Supremo sobre os avanços da investigação que busca identificar se o presidente recebeu financiamento ilegal da campanhaque o levou ao Palácio do Eliseu.

Um dos elementos que puseram os juízes em alerta, para então grampear o telefone do ex-presidente, foi o fato de Sarkozy abrir uma segunda linha de celular com um pseudônimo para se comunicar discretamente com seu advogado sobre a evolução dos processos judiciais em que eles teriam informação privilegiada.

Assim nasceu o chamado "caso das escutas", um dossiê derivado de uma investigação que tenta determinar se o político recebeu financiamento ilegal vindo do então ditador líbio Muammar Kadafi. 

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