'Assista ao vídeo ou caia fora' parece ser a mensagem do Facebook

Quem bloqueia a execução de javascript para não assistir a vídeos é convidado a se reitrar e usar o site mobile

Por O Dia

Rio - Imagine que você é convidado para uma festa onde todos os seus amigos vão estar. O local é bacana, espaçoso, bem decorado. Pessoas legais, "gente bonita", bom papo, boas piadas. Legal, não? Lá pelo meio da noite, alguém começa a distribuir planfletos com produtos que podem interessar a você. Tudo bem, é uma maneira honesta de o anfitrião ganhar algum e pagar as despesas do convescote. Você está lá, trocando uma ideia com os amigos, conhecendo pessoas, começando a participar de outros grupos. De repente, alguém aparece, ergue um tablet diante dos seus olhos e exibe um vídeo. Você pede licença, se vira e continua a conversar. Minutos depois, outro tablet na sua cara, outro vídeo. Educadamente, você avisa ao sujeito com o tablet que prefere não assistir aos vídeos. "Desculpe, neste caso, você deve ficar lá fora, no quintal. Aqui dentro tem que fazer o que a gente manda." É mais ou menos isso que o Facebook está fazendo.

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A rede social de Mark Zuckerberg avisou que passaria a priorizar vídeos no site. Certamente de olho no modelo do YouTube, que usa os primeiros segundos de cada vídeo como espaço publicitário. Como se sabe, Google e Facebook disputam o bilionário mercado de anúncios online. Até aí, nada demais. O problema é que a opção para desabitar vídeos desapareceu das configurações do Facebook. A alternativa era navegar no Google Chrome e criar uma regra nas configurações do navegador como evitar que os vídeos começassem a tocar automaticamente no Facebook. Foi o meu caso. Hoje, contudo, o Facebook me mandou o seguinte recado: "Para uma melhor experiência no Facebook, ative o JavaScript em seu navegador ou mude para o nosso site móvel". O site móvel, diga-se, é uma versão mais pobre do site, uma vez que usa os recursos essenciais para o funcionamento em smartphones e tablets.

A opção para quem não quiser habilitar vídeos no Facebook é usar o site móvel (para smartphones e tablets)%2C que é bem mais pobre.Reprodução Internet

É compreensível que o Facebook queira lucrar sobre a audiência que usa seus serviços. Mas é no mínimo falta de educação chamar alguém para uma festinha entre amigos e, no meio da noite, transformá-la num jantar formal ou encontro da Amway.

Não é a primeira vez que Mark Zuckerberg impõe sua vontade sem pedir licença. No começo, o Facebook era estático, parecido com o Orkut e o MySpace. Com o sucesso avassalador do Twitter, ele percebeu que era preciso se adaptar para viver e levou a agilidade da Time Line (Linha do Tempo) do Twitter para o Facebook com o nome News Feed (Feed de Notícias). Muita gente reclamou, mas o Facebook sobreviveu e continou a crescer.

Agora, ao que parece, Zuckerberg quer levar para sua rede social o lucro de anúncios do YouTube. Já tem gente reclamando. Estaria a sobrevivência do Facebook ameaçada?


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