Fazer coleções ajuda criança a ter noção de responsabilidade

Psicóloga explica as vantagens de se distrair organizando e arrumando objetos

Por bferreira

Rio - Colecionar objetos não é apenas uma distração ou diversão para as crianças. Guardar</DC> figurinhas, bonecas, selos, carrinhos ou chaveiros, entre outros itens, é um hábito que faz os pequenos desenvolverem as noções de responsabilidade e organização. No caso das figurinhas, mesmo a criança mais calada tem de enfrentar a timidez e abordar os amigos na hora de trocar as repetidas.

Para a psicóloga Andreia Calçada, o hábito ainda facilita a inclusão nos ambientes e incentiva a independência. Ela ressalta também que, quando chegam em casa, os pequenos registram as novas figurinhas adquiridas e ‘dão baixa’ nas que foram perdidas, o que traz benefícios. “Estimula o senso de controle, responsabilidade e organização que, às vezes, a escola sozinha não consegue gerar”, analisa.

Os colecionadores solitários — crianças que passam várias horas do dia sem a presença dos pais ou irmãos e são cuidadas por babás — também ganham com o hobbie. Segundo a psicóloga, a procura por novos objetos, a limpeza e a arrumação preenchem o dia da criança. “Se ela tem problemas de ansiedade ou passa por situações difíceis em casa, isso pode ajudar a desviar a atenção do que a incomoda, e traz mais prazer para a rotina”.

Há ainda aqueles que, na carona dos pais, escolhem os ‘suvenires’ — objetos típicos de uma cultura — para montar suas coleções. Nesse caso, diz Andreia, as crianças podem também passar a conhecer pontos turísticos de vários países, e características destes locais. Se a família tiver o mesmo hábito, a coleção ainda vira uma forma de aproximação com os parentes. Segundo a psicóloga, os fãs de selos de locais diferentes são outros que acabam se familiarizando com noções de História e Geografia. “O resultado é que o que aprendem na escola se reveste de um sentido mais pessoal”, comenta.

Doação é outro aprendizado

Vestidos de princesa são o foco da coleção de Elena Chalegre, 5 anos: a menina já chegou a ter 25 deles. Segundo a mãe, a jornalista Valéria Chalegre, 41, parte da coleção foi até doada a crianças internadas no Instituto do Câncer (Inca).

“O irmão mais novo dela, de 2 anos, teve leucemia e ficou internado. Pedi que a Elena escolhesse quais vestidos das princesas iria doar”, contou. “Ela sabe que a graça é que todos possam brincar”.

Nesse tipo de ação, segundo a psicóloga Andreia, as crianças têm a chance de romper com o apego exagerado a alguns objetos, e aprendem a ser solidárias.

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