Brasileiros fogem do inferno de Gaza

Itamaraty retira grupo enquanto Israel alerta que bombardeios vão piorar

Por O Dia

Israel - Milhares de habitantes da Faixa de Gaza começaram ontem a fugir de suas casas, depois que Israel alertou cerca de 100 mil pessoas para saírem da região, num claro aviso de que vai intensificar ainda mais a nova onda de bombardeios na região. O Itamaraty retirou nove brasileiros da área. O grupo foi para o Egito. Outros 35 permaneciam na Faixa de Gaza e, até ontem, recusavam-se a sair.

Os palestinos receberam o alerta através de ligações telefônicas, mensagens SMS e panfletos. O comunicado de Israel destaca que o exército “não quer fazer dano” aos habitantes, mas que os militantes do Hamas, organização que governa a Faixa de Gaza, não para de atirar foguetes em direção ao país.

A operação para a retirada dos brasileiros foi arriscada. Diplomatas pediram ajuda da ONU para levar o grupo até a fronteira com o Egito, mas a organização não pôde prestar o serviço em meio à situação no território. Por isso, o comboio com os brasileiros se dirigiu sozinho até Rafah. Uma família que também pretendia sair de Gaza desistiu por causa do perigo da viagem em meio aos bombardeios israelenses.

TRÉGUA HUMANITÁRIA

Somente ontem, 16 palestinos morreram em uma série de ataques israelenses no sul da Faixa de Gaza, incluindo quatro crianças. Vários bombardeios destruíram uma tenda em uma praia onde estava um grupo de crianças. Além disso, quatro pessoas de uma mesma família, entre elas um menino de 10 anos e uma senhora de 65, estão entre as vítimas.

Também ontem, o Exército israelense disse que vai interromper os bombardeios por cinco horas, hoje, para permitir que os habitantes recebam ajuda humanitária e se abasteçam. A curta trégua foi decidida depois de negociações com representantes da ONU.

Os ataques aéreos de Israel, iniciados há nove dias, já mataram mais de 210 palestinos e deixaram outros 1,5 mil feridos. Segundo as Nações Unidas, quase 80% das vítimas são civis.

Até ontem, apenas uma morte de civil havia sido registrada do lado de Israel: a de um homem de 38 anos que levava alimentação para soldados.

Jovens mortos e vingança

A escalada de violência começou com o desaparecimento de três adolescentes israelenses, dia 12 de junho, na Cisjordânia. Eles foram sequestrados quando pediam carona para ir a Jerusalém. O governo israelense acusou o Hamas do sequestro e deslocou grande contingente militar para a área. Dezenas de membros do Hamas foram detidos, e foguetes, disparados de Gaza contra Israel.

Os corpos dos três foram encontrados em 30 de junho, com tiros. No dia seguinte, um adolescente palestino foi sequestrado e morto em Jerusalém Oriental. A autópsia indicou que ele foi queimado vivo. Israel prendeu seis judeus extremistas pelo crime, e três confessaram. Isso reforçou as suspeitas de que a morte teve motivação política e gerou uma onda de revolta e protestos em Gaza.

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