Por guilherme.souza
Grupo Médicos Sem Fronteiras (MSF) trabalha incessantemente para ajudar vítimas do ebola Reuters

África - A Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu nesta sexta-feira que os governos dos países afetados pela epidemia do ebola podem ser obrigados a impor restrições à circulação de pessoas e a realização de reuniões e eventos públicos. A diretora geral da organização, Margaret Chan, detalhou que essa decisão dependerá da situação epidemiológica de cada país.

Ela está em Guiné, onde lançou, junto com quatro presidentes africanos, um plano de resposta internacional para deter a propagação desta doença letal, que já deixou 729 mortes desde que começou o atual surto, considerado o pior da história.

Em discurso para os presidentes de Guiné, Libéria, Serra Leoa e Costa do Marfim, a chefe da OMS afirmou que os países mais afetados podem precisar recorrer às forças policiais para garantir a integridade das equipes de saúde que estão lutando contra a pior propagação desta doença desde que ela foi detectada, há cerca de 40 anos. "Os governos podem precisar usar forças policiais e de Defesa Civil para garantir a segurança das equipes de resposta. Alguns já estão fazendo", declarou.

Segundo a OMS, é preciso mais sensibilização do público a respeito da gravidade da doença e os políticos, assim como os líderes comunitários e religiosos, devem participar deste esforço divulgando mensagens verdadeiras sobre ela. Chan disse que é preciso produzir urgentemente um mapa exato e detalhado do atual surto de ebola, uma doença hemorrágica que tem altíssima taxa de mortalidade.

Segundo ela, a cepa que está sendo transmitida no oeste da África é -entre todas as que compõem as família dos vírus do Ebola- a mais letal. Dos 1.300 casos detectados, 729 terminaram com morte do paciente infectado em Guiné (339 casos), Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

Destes, 60 mortos eram das equipes de saúde, e Chan confirmou que a equipe internacional também foi infectada, "o que erode a capacidade de resposta" a esta emergência. A diretora da OMS também esclareceu mensagens equivocadas sobre o contágio do ebola. "Não é um vírus que é transmitido pelo ar. A contaminação precisa de contato próximo com os fluidos de uma pessoa infectada ou após a morte. Fora desta situação específica, o público em geral não está em alto risco de infecção"

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