Por bferreira

Gaza - Os bombardeios do Exército de Israel na Faixa de Gaza causaram a morte de 408 crianças e deixaram outras 2,5 mil feridas, informou o Unicef ontem. O órgão das Nações Unidas calcula ainda em 370 mil o número de menores que necessitam urgentemente de ajuda psicológica por terem presenciado cenas brutais na guerra. Ontem — primeiro dia de uma trégua de 72 horas mediada pelo Egito e aceita por Israel e o movimento islâmico Hamas — várias famílias foram até as ruínas de suas casas tentar reaver pertences.

Soldados israelenses comemoram saída de Gaza e volta para casaReuters

“A ofensiva teve um impacto catastrófico nas crianças. Se levarmos em conta o que estes números representam para a população de Gaza, é como se tivessem morrido 200 mil crianças nos Estados Unidos. Em Gaza, não há uma única família que não tenha sido afetada”, afirmou Pernille Ironside, chefe do Unicef em Gaza. Segundo ela, o território palestino está sem eletricidade, água potável e saneamento, daí o perigo de doenças se alastrarem.

Uma delegação israelense é esperada no Cairo, capital do Egito, nos próximos dias, para negociar um acordo mais amplo, que inclua um cessar-fogo duradouro. A delegação palestina, que inclui membros do Hamas e também da Jihad Islâmica, já está na cidade.

Israel anunciou a retirada de suas tropas da Cidade de Gaza para posições defensivas às 8h locais, no início da trégua. Este foi o segundo cessar-fogo de 72 horas acertado entre os dois lados nos últimos cinco dias. Mas o anterior, dia 1º, negociado pelos EUA e pela ONU, só durou 90 minutos e terminou com mais dezenas de mortos.

As forças israelenses informaram ontem terem concluído a destruição de 32 túneis escavados por militantes palestinos. Os caminhos subterrâneos eram usados para guerrilheiros se aproximarem de Israel e para transportar mercadorias e armas. Minutos antes do início do cessar-fogo, integrantes do Hamas lançaram vários foguetes.

Muçulmana pede demissão

A secretária de Estado britânica Sayeeda Warsi pediu demissão ontem, num protesto contra a política do premiê David Cameron sobre o conflito em Gaza. Ela classificou a posição britânica de “moralmente indefensável”. O governo vem pedindo cessar-fogo, mas Cameron não criticou as ações de Israel com ênfase. Sayeeda era a primeira mulher muçulmana a integrar o governo do país. O chanceler George Osborne reagiu dizendo que a decisão era desnecessária e insistiu que os ministros se comprometessem a trabalhar pela paz. O líder trabalhista Ed Miliband, da oposição, afirmou que a secretária de Estado agiu com “princípio e integridade” e pediu que Cameron repensasse sua posição.

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