Por bferreira

Rio - A escoliose, doença que causa pronunciados desvios laterais na coluna vertebral, afeta cada vez mais crianças e adolescentes em todo o mundo. Porém, mais de 80% de seus casos não têm origem conhecida pelos médicos, o que dificulta o tratamento e gera uma necessidade crescente por cirurgias complexas de correção. Buscando solucionar esse enorme gargalo, pesquisadores do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio, deram início a uma pesquisa que torne possível tratar a doença antes que o paciente precise enfrentar um centro cirúrgico.

O estudo do Into, que envolve 600 pessoas, tentará identificar as causas da doença. Responsável pelo trabalho, que deve se prolongar pelos próximos três anos, o médico Luiz Cláudio Schettino explica qual o objetivo central da pesquisa. “A causa da escoliose ainda é um mistério. Precisamos entender por que algumas pessoas apresentam a forma branda da doença e, em outras, o problema evolui rápido, provocando curvaturas de coluna exageras”, afirma o especialista do Into.

A investigação será feita com portadores da doença e seus familiares, para mapear uma possível herança genética na evolução grave do problema. As gêmeas Beatriz e Letícia Cabral, 13 anos, operadas no Into, vão participar da pesquisa. Elas têm três irmãos que não sofrem da doença.

“Se descobrirmos qual gene causa a escoliose, poderemos antecipar a necessidade de tratamento e corrigi-la com procedimentos menos invasivos e até mesmo sem cirurgia”, diz Schettino, apontando a possibilidade de curar a doença com uso de coletes que reparam os desvios.

Atualmente, a escoliose tem mais de 69 tipos identificados. Estas formas da doença, que representam somente 20% dos casos, estão associadas a doenças sindrômicas e neurológicas, como a neurofibromatose e a paralisia cerebral, ou relacionadas a malformações congênitas da coluna vertebral.

Gêmeas recebem alta após passarem por operação

As gêmeas Beatriz e Letícia, 13 anos, estavam entre os 35 pacientes com escoliose operados, semana passada, em mutirão de cirurgias no Into. Elas receberam alta ontem. Responsável pelas cirurgias, o ortopedista Alderico Girão disse que a situação é inusitada. “Não é comum vermos gêmeas idênticas com escoliose, mas há 11% de chance de parentes de primeiro grau desenvolverem a doença”, conta o cirurgião. Aliviada, a mãe das meninas, Fabiane Cabral, aposta que elas terão uma melhora grande na qualidade de vida. “Era o que elas mais queriam. Ficaram com a coluna retinha”.

No procedimento (artrodese), prótese é fixada com pinos e parafusos ortopédicos, combinados com hastes e conectores, trazendo a coluna à posição normal. Também são utilizados enxertos ósseos do paciente ou de doadores para fixar a correção da coluna. A cirurgia é definitiva.

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