Criança que ronca pode crescer pouco e aprender menos

Sono interrompido atrapalha o desenvolvimento infantil

Por O Dia

Rio - O ato de roncar costuma ser associado a homens de meia idade e com sobrepeso. Porém, a apneia do sono, distúrbio que bloqueia a entrada de oxigênio no organismo e provoca o barulho, afeta crianças e pode acarretar graves consequências.

O principal problema é de crescimento. Sem o ciclo completo de sono, a criança libera quantidade insuficiente de GH ( hormônio do crescimento), secretado preferencialmente à noite, e acaba com altura e peso baixos. “Chegam muitos pais altos com filho baixo no consultório. Quanto mais tempo a criança passa sem tratamento adequado, mais difícil de se desenvolver”, diz o otorrinolaringologista Leonardo Sá, do Hospital Universitário Pedro Ernesto.

Outra complicação é o déficit na aprendizagem. Além de deixar a criança agitada de dia, o que atrapalha a concentração em sala de aula, a apneia impede a absorção do que foi aprendido. “É na fase mais profunda do sono que gravamos informações. Crianças com apneia não alcançam esse momento do ciclo e têm dificuldades para aprender”.

No Brasil, 3% da população em idade pré-escolar sofrem com obstrução das vias aéreas durante o descanso.

A apneia infantil tem como sintomas suor excessivo nas primeiras horas de sono, agitação na cama e ronco forte. “Tem mãe que acha bonitinho ouvir o filho roncando igual ao pai, mas quando a criança ronca está com algo fora do normal’, alerta Leonardo.

Causa pode ser rinite alérgica

Enquanto a apneia do sono em adultos está associada à obesidade e ao enfraquecimento da musculatura da laringe com o envelhecimento, as maiores causas entre crianças são rinite alérgica e amígdalas com tamanho acima do normal, aponta o otorrino Leonardo Sá.

Segundo ele, a primeira ação do médico ao constatar a obstrução das vias aéreas é identificar um possível quadro alérgico e tratá-lo. Caso a criança siga sofrendo com a falta de ar, o problema deve ser resolvido com a remoção das amígdalas. “Esta cirurgia é feita com anestesia geral, mas não representa risco ao paciente”, garante Leonardo.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência