Por clarissa.sardenberg

França - O presidente da França, François Hollande, negou nesta quarta-feira que se refira em sua vida privada aos mais pobres como "desdentados" e acusou sua ex-mulher e ex-primeira-dama Valérie Trierweiler de mentir no polêmico livro que publicou recentemente. "Não quero que se possa dizer ou escrever que brinco da dor social porque é uma mentira que me dói", declarou o chefe de Estado francês em entrevista concedida à revista "Le Nouvel Observateur" e que teve trechos divulgados nesta quarta.

Em "Merci pour ce moment" (Obrigado por este momento), que em apenas quatro dias se transformou no recordista de vendas no país, Trierweiler analisa sua relação e seu rompimento com o presidente em janeiro, quando uma reportagem revelou a relação de Hollande com a atriz e produtora Julie Gayet.

"Ele, o homem de esquerda, diz privadamente 'os desdentados', muito orgulhoso de seu senso de humor", escreve Trierweiler em uma das passagens mais polêmicas do livro, publicado pela editora "Les Arènes".

François Hollande e a então primeira-dama Valérie Trierweiler Efe

"Esse ataque contra os pobres, os desfavorecidos, vivi como um ataque a minha vida inteira. Em todas minhas funções, em todos meus mandatos, só pensei em ajudar, em representar os que sofrem. Nunca estive do lado dos poderosos, embora não seja seu inimigo, sei de onde venho", declarou Hollande.

Na entrevista, o presidente se refere à origem humilde de sua família e assegura que conheceu gente maltratada pela vida e tão pobre que nem podia nem cuidar dos dentes, o que considera um "sinal da pior miséria".

"A essas pessoas, tratei, ajudei, apoiei", reiterou Hollande, que poucas vezes fala sobre questões pessoais. "O que vivo neste momento não é agradável, mas, o que quer o senhor, que chore diante dos franceses, que choramingue? Não sou nem um demagogo nem um ator. Os franceses esperam de mim outras coisas. Querem resultados. Meu estado de ânimo não os interessa. Têm razão", acrescentou o chefe do Estado.

"Nunca enganei, nunca tentei me passar por alguém diferente do que sou", garantiu Hollande para se defender do livro de Trierweiler, que ataca sua imagem pública ao relatar sua suposta hipocrisia e sua obsessão com as pesquisas.

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