Por paulo.lima

Escócia - A rainha Elizabeth II afirmou, nesta sexta-feira, que o "amor pela Escócia" é o que mantém os britânicos unidos após o referendo de ontem sobre a independência no qual venceu o "não". A soberana, de 88 anos, passou o dia da votação e a noite da apuração em sua residência escocesa de Balmoral, onde se manteve pontualmente informada sobre o processo do referendo.

"Na Escócia e em outras partes, haverá hoje sentimentos intensos e emoções contraditórias. Entre familiares, amigos e vizinhos. Essa é, certamente, a natureza da forte tradição democrática da qual desfrutamos neste país", afirmou a rainha em comunicado. "Após muitos meses de discussões, debates e um processo de reflexão, conhecemos o resultado do referendo. É um resultado que todos nós, em todo o Reino Unido, vamos respeitar", declarou Elizabeth II.

Na tarde de ontem, quando os dirigentes dos partidos políticos já tinham revelado sua avaliação sobre o resultado do referendo, Elizabeth II manifestou seu desejo de que o país "siga em frente" após a consulta popular. "Todos temos em comum um amor permanente pela Escócia. Essa é uma das coisas que nos ajudam a manter nossa união", disse a monarca, que costuma passar o verão europeu no castelo de Balmoral.

"Conhecendo os escoceses como eu conheço, não tenho dúvida que eles, assim como outros no resto do Reino Unido, são capazes de expressar opiniões contundentes e depois se reunir outra vez em um espírito de respeito mutuo e apoio", opinou a rainha. Elizabeth II convocou os cidadãos do Reino Unido a "trabalhar construtivamente para o futuro da Escócia e de todos os lugares deste país".

"Minha família e eu faremos o que for necessário para ajudar nessa grande tarefa", disse a chefe de Estado. Por causa das informações veiculadas na imprensa britânica nas últimas semanas sobre a preocupação da rainha com o avanço do movimento de independência nas pesquisas, o palácio de Buckingham destacou, na semana passada, que Elizabeth II tinha uma posição neutra no referendo de ontem.

"A rainha é, e sempre foi, constitucionalmente imparcial em todos os assuntos políticos, inclusive o referendo de independência escocês. Não é uma função constitucional de Vossa Majestade influenciar as pessoas a votarem de uma forma ou de outra", garantiu a porta-voz oficial da coroa britânica. Apesar de sua neutralidade, no domingo passado Elizabeth II disse ao término de um serviço religioso na igreja de Crathie Kirk, na Escócia, que esperava que "as pessoas refletissem com muita atenção sobre o futuro" antes de decidir seu voto.

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