Por leonardo.rocha

Bélgica - A Justiça da Bélgica abre nesta segunda-feira o primeiro julgamento de um grupo acusado de doutrinar jovens e recrutá-los para participar da guerra na Síria.

A lista de acusados no que está sendo chamado de "o megaprocesso do jihad" inclui 46 nomes, entre eles Brian de Mulder, o jovem belga de origem brasileira que desde janeiro de 2013 engrossa as filas do autodenominado "Estado Islâmico" na Síria.

Jejoen Bontinck%2C membro do Sharia4Belgium e um dos acusados%2C chega a tribunal na AntuérpiaReuters


No entanto, só oito dos acusados estão presentes. Os demais continuam na Síria ou faleceram. "Este é o maior processo por terrorismo já realizado na Bélgica", disse Veerle De Vries, porta-voz da polícia de Antuérpia, segunda maior cidade do país, onde acontece o julgamento.

O ponto comum entre os acusados é a organização extremista Sharia4Belgium, que prega a instauração da lei islâmica no país europeu e é considerada pelas autoridades locais como principal fileira de recrutamento de combatentes belgas para a Síria.

Foi depois de começar a freqüentar as reuniões do grupo, em 2010, que De Mulder se converteu ao islã e se radicalizou rapidamente, afirmou sua mãe, Rosana Rodrigues, em entrevista concedida à BBC Brasil em julho de 2013.

Doutrinamento

As autoridades belgas começaram a investigar a implicação de Sharia4Belgium no conflito sírio em fevereiro de 2012, após alertas de pais sobre diversos jovens que deixaram o país para se envolver no combate.

Desde então, o número de belgas que integram grupos extremistas como a Frente Al Nusra ou o autodenominado "Estado Islâmico na Síria ou no Iraque" passou de 80 para 400. O número de europeus no conflito chegou a 3 mil, contra apenas 500 há um ano, segundo a União Europeia.

As autoridades da Antuérpia acreditam possuir elementos suficientes para classificar o Sharia4Belgium como grupo terrorista e condenar seus membros por diversos crimes.

Jejoen Bontinck, 19 anos, presente no processo, é uma peça central da acusação. Ele voltou à Bélgica no ano passado, depois de oito meses lutando ao lado dos extremistas na Síria.

Detido e interrogado pela polícia federal belga, o jovem se apresentou como vítima da organização, afirmou que foi sequestrado por seus antigos companheiros de luta quando decidiu abandonar o conflito sírio e forneceu várias informações sobre o recrutamento e encaminhamento de estrangeiros às fileiras extremistas.

O principal acusado é Fouad Belkacem, 32 anos, líder e antigo porta-voz da organização, detido em Bruxelas desde abril de 2013 por incitação ao ódio.

Ele e outros 15 podem ser condenados a até 15 anos de prisão e perder a cidadania belga por comandar um grupo terrorista responsável por recrutar jovens e submetê-los a um "doutrinamento religioso e ideológico".

Os demais, entre eles Bontinck e De Mulder, são acusados de participar de atividades de uma organização terrorista e estão sujeitos a penas de até 5 anos de prisão.

De Mulder também é acusado de publicar ameaças de ataques terroristas à Bélgica, ao ministro da Defesa, Pieter De Crem, e ao líder político holandês Geert Wilders. O processo, previsto para durar dois dias, acontece sob forte segurança.

As autoridades belgas estão efetuando controles de identidades e recomendaram aos cidadãos evitar circular pela região do Palácio de Justiça de Antuérpia.

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