Manifestantes suspendem diálogo com o governo de Hong Kong

Confrontos entre ativistas pró e contra Pequim fizeram vítimas; moradores reclamam do caos e grupo pede proteção a alunos

Por O Dia

Hong Kong - Ativistas pró-democracia de Hong Kong cancelaram os planos de negociação com o líder local nesta sexta-feira após multidão tentar tirá-los das ruas em uma das principais áreas comerciais da cidade.

Segundo a Federação de Estudantes de Hong Kong, um dos maiores grupos de liderança dos protestos, disse não ver outra alternativa, se não cancelar a possível conversa com o líder executivo Leung Chun-ying.

"O governo está exigindo que as ruas sejam limpas. Pedimos a rodos para proteger as nossas posições e lutar até o fim", disse o grupo por meio de comunicado.

Estudantes paralisaram grandes trechos de Hong Kong e afetaram os negócios%2C de bancos a joalheriasReuters


Chun-ying propôs negociar com os grupos na quinta-feira visando a neutralizar o impasse, o maior desafio à autoridade de Pequim desde que a China assumiu o controle da antiga colônia britânica, em 1997.

A recusa do político em ceder aos apelos por sua renúncia irritou muitos manifestantes. Eles exigiam que o governo encontrasse os responsáveis pelos confrontos desta sexta-feira no bairro de Mong Kok, em Kowloon, e em outras áreas, formando a mais caótica ação desde que a polícia usou spray de pimenta e gás lacrimogêneo no último final de semana para tentar dispersar os manifestantes.

Assim como essas táticas acabaram atraindo mais pessoas às ruas, os ataques desta sexta também atraíram outras centenas de apoiadores. Não ficou claro se as pessoas que tentam expulsar os manifestantes estavam organizados, embora alguns usassem fitas azuis sinalizando seu apoio ao governo chinês, enquanto os manifestantes têm usado fitas amarelas.

Pelo menos alguns deles eram residentes locais irritados com a inconveniência que ruas bloqueadas e lojas fechadas trouxeram às suas vidas e foram talvez incentivados a tomar o assunto pelas próprias mãos após chamadas da polícia para que manifestantes limpassem as ruas.

"Isso não é sobre minha posição em relação a causa, e sim sobre a legalidade dessas ações [protestos]", disse Donald Chan, 45. "Isso é ilegal. E trouxe caos à cidade."

Nesta tarde, os ativistas pró-democracia, a maioria estudantes, ficaram de braços e mãos cruzados enquanto tentavam manter-se firmes. A polícia formou cordões e escoltou alguns dos manifestantes para longe, enquanto centenas de pessoas gritavam "Vão embora!" e "Vá para casa!".

Mas a maré parecia ter virado à noite, quando centenas se amontoaram no local, gritando contra os adversários dos manifestantes e exigiram que a polícia protegesse os alunos. A polícia acabou acompanhando um pouco da multidão, na faixa dos 30 anos, para fora da área.

O caos levou polícia e outras autoridades a pedirem que todos evitem a violência e voltem para suas casas. "Não deveríamos usar a violência ou perturbar a ordem social em hipótese alguma", disse o líder executivo. "Todas as pessoas que ocupam essas áreas deveriam se dispersar o quanto antes e reestabelecer a ordem social, e então a vida voltaria ao normal."

Durante o pior momento das manifestações, a polícia foi pressionada duramente para manter a ordem enquanto os dois lados brigavam em um tenso impasse. Algumas pessoas saíram ensanguentadas do tumulto. Pancadas de chuva ocasionais ??não fez diminuir os grupos nas ruas.

Os manifestantes estão nas ruas desde o dia 26 de setembro, comprometendo-se a preservar o sistema legal de Hong Kong e as liberdades civis. Eles querem que o governo chinês reverta decisão que exige pré-aprovação de Pequim sobre todos os candidatos à liderança da região nas eleições de 2017. Os ativistas querem candidaturas abertas.

Alguns simpáticos à demanda dos manifestantes pela democracia mais ampla reclamaram que a polícia não estava fazendo o suficiente para proteger os estudantes. Mas outros se queixaram que os protestos estão interrompendo suas vidas e interferem de maneira negativa em suas vidas.

"As manifestações afetaram as entregas da minha empresa, um negócio de perfume", explicou Ken Lai no movimentado bairro de Causeway Bay. "Eu realmente não gosto do fato de eles ocuparem muitas áreas, todas espalhadas pela cidade. Eu também sou habitante de Hong Kong. Os ocupantes não representam todos nós."

Últimas de _legado_Mundo e Ciência