Reposição hormonal entra em lista de cancerígenos

Relação foi feita pelo governo federal. Especialistas têm opiniões divididas sobre tema

Por O Dia

Rio - Uma lista com agentes cancerígenos lançada pelo governo federal está causando polêmica. Na publicação, além de fatores de risco conhecidos, como tabaco e álcool, está a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), indicada na menopausa. Oncologistas e ginecologistas divergem quanto à presença da técnica na listagem. O primeiro grupo confirma que a TRH aumenta os riscos de câncer de mama.

“As doses hormonais são altas e é como se o tumor fosse ‘alimentado’ pelo hormônio, por isso eleva o risco”, diz Felipe Cruz, oncologista do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. Ele defende que sintomas do climatério sejam tratados separadamente. Por exemplo, a secura vaginal pode ser combatida com gel e o calor, com antidepressivos.

Já Ricardo Vasconcellos Bruno, da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e um dos autores do Consenso de Climatério e Terapêutica Hormonal, é contrário ao fato de a terapia estar ao lado de substâncias como tabaco. “Da forma como está, sugere que todas as mulheres que recorrem à terapia terão câncer, o que não é verdade”.

Ele ressalta que o risco de tumor na mama é raro — 8 a cada 10 mil — e não pode ser aplicado a todas as mulheres. Segundo o médico, pesquisas apontam que a terapia com estrogênio em mulheres pode prevenir o câncer de mama e cólon e reto. Na listagem, há também o anticoncepcional oral, com a ressalva de estudos que apontam que ele pode evitar outros tumores no endométrio e ovário.

A Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos foi publicada pelos ministérios do Trabalho e Emprego; da Saúde e da Previdência Social no Diário Oficial. Cerca de 110 substâncias são consideradas cancerígenas, entre elas álcool e radiação. Doenças como Hepatites B e C , além da Aids também têm relação com os tumores.

Proteção à saúde de trabalhadores

Um dos focos da lista é proteger trabalhadores. Substâncias cancerígenas presentes na rotina de pintores e de profisisonais da indústria têxtil e da produção de alumínio estão listadas. O Instituto Nacional do Câncer alerta por exemplo que a exposição ao amianto — usado na indústria automobilística — está associada a cânceres de pulmão, ovário e laringe. Apesar de ter sido banido em mais de 50 países, é usado no Brasil. “A lista contribuirá para a divulgação das evidências científicas e poderá favorecer os trabalhadores”, diz Márcia Mello, Toxicologista do Inca.

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