Machista, Bolívia vai às urnas

Protestos em defesa da mulher deram o tom da campanha. Morales deve ser reeleito

Por O Dia

Rio - Em meio a protestos contra o machismo na política e a violência contra a mulher, 6,2 milhões de bolivianos vão às urnas hoje para decidir o destino do país nos próximos cinco anos. Mais de cem mulheres foram assassinadas este ano na Bolívia, considerado um dos países mais violentos para elas na América Latina, de acordo com a ONU. Acusado de declarações machistas em 2012, o favorito Evo Moralez concorre ao seu terceiro mandato. Segundo as últimas pesquisas, o atual presidente, com 59% das intenções de voto, ganha a eleição ainda no primeiro turno.

Em recente pesquisa para a presidência%2C Evo Morales tinha 59% das intenções de voto%2C seguido de Jorge Quiroga (18%) e Juan Del Granado(9%) Reuters / Reprodução Internet

Para Elizabeth Peredo, psicóloga social, a política boliviana é profundamente machista, assim como é a sociedade. “Eles se justificam dizendo que o machismo é cultural e, portanto, não há autocrítica de seus líderes”, disse à BBC Brasil.

Candidato do Movimento para o Socialismo (MAS), Morales disputa com o empresário Doria Medina (Unidade Democrata), que tem 18% das intenções. O ex-vice-presidente Jorge Quiroga, do Partido Democrata Cristiano, tem 9%. Já o ex-prefeito de La Paz, Juan del Granado (Movimento sem Medo), detém 3% e o líder indígena Fernando Vargas, do Partido Verde, 2%.

Com o lema “Machista, fora da lista”, várias organizações foram às ruas e houve forte reação também pelas redes sociais na internet. Por conta dos protestos, dois candidatos ao Congresso, envolvidos em casos de violência contra a mulher, renunciaram: o senador Adolfo Mendoza, acusado de abuso por sua esposa, e Jaime Navarro, denunciado por ter batido na mulher. Ambos negam. Durante a campanha, eleitores lembraram de quando o presidente Evo Morales, ao visitar uma mina em 2012, perguntou a duas trabalhadoras se elas eram “perfuradoras ou perfuradas.”

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Bolívia está no topo da lista de 13 países da América Latina com mais casos de violência física contra mulheres e é a segunda em violência sexual.A organização afirma que sete em cada 10 mulheres bolivianas sofreram algum tipo de violência. O Centro de Informação e Desenvolvimento da Mulher da Bolívia (Cidem), que monitora casos de violência doméstica, aponta 59 casos de feminicídio (assassinatos de mulheres relacionadas a seu sexo) entre janeiro e junho de 2014.

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