Por bferreira

Rio - Pacientes com câncer agora dividem suas angústias, dúvidas e experiências numa rede social própria. Chamada de Coneccte, a nova ferramenta gratuita foi lançada pelo Instituto de Oncologia Santa Paula, em São Paulo, na semana passada. Doentes, familiares e pessoas curadas podem trocar mensagens entre si e compartilhar sentimentos.

O oncologista Tiago Kenji, que trabalhou na criação da rede social, afirma que a ideia foi reunir pacientes com câncer num ambiente na internet, onde as informações sobre a doença normalmente estão dispersas.

De acordo com o especialista, o paciente não lembra de contar tudo ao médico na consulta semanal. “Na rede, ele compartilha dicas e preocupações com quem enfrenta o mesmo problema. Por exemplo, o que usou para aumentar a autoestima,” explica. Informações produzidas pela equipe do instituto também estão disponíveis.

A Coneccte lembra redes sociais já conhecidas, como o Facebook e o Twitter. O usuário tem um ‘feed de notícias’, ‘segue’ outros pacientes e também comenta postagens de amigos. Na página inicial, o sistema faz a pergunta: ‘Como você está se sentindo hoje ?’ A resposta é compartilhada com os seguidores. O paciente ainda fornece idade, nome, foto e o tipo de câncer que está tratando ou que venceu.

Gilberto Soares dos Santos, 68 anos, foi o primeiro a fazer o cadastro. Diagnosticado com câncer no esôfago em maio, ele passou por quimioterapia, radioterapia e um procedimento cirúrgico. “Saber que outras pessoas estão na mesma situação tranquiliza. O câncer é um bicho brabo, mas não é 100% indomável,” desabafa.

Michelli Dyanne, 31, que tem câncer de mama, também já está conectada. “Na rede, me sinto mais a vontade para falar sobre câncer. Espero que minha experiência sirva para dar coragem a quem descobriu a doença agora,” conta.

Rotina com altos e baixos

Altos e baixos fazem parte do tratamento contra o câncer. Há dias em que o paciente está desanimado e sem esperanças, mesmo que o corpo esteja respondendo bem ao medicamento. Segundo o oncologista, isso é totalmente normal, mas muitos ficam inseguros. “Por isso a rede se mostra tão importante, já que o médico não pode estar todos os dias ao lado do doente”, defende Kenji.

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