Por felipe.martins

São Paulo - Nova esperança para o tratamento contra o câncer: o Instituto Butantan, em São Paulo, vai iniciar testes de uma nova droga em seres humanos. Feito a partir de uma proteína encontrada na saliva do carrapato-estrela, o remédio pode ser usado para combater tumores nos rins e no pâncreas, além do melanoma (pele). Outro benefício é reduzir as metástases pulmonares derivadas desses tipos de câncer.

O estudo já dura dez anos, e experimentos feitos em camundongos e coelhos mostraram que a proteína foi capaz de reduzir os três tipos de tumores. Segundo a responsável pela pesquisa, Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, além de atacar e matar as células cancerígenas, a proteína não oferece risco às saudáveis. “Os testes pré-clínicos (com animais) foram um sucesso e temos tudo pronto para termos um medicamento inovador para tratamento do câncer com menos efeitos colaterais”, disse ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’.

Quimioterapia já existente causa muitos efeitos colaterais. O novo medicamento deverá minimizá-losIstock

Para os testes em humanos começarem, é necessária ainda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em 2009, camundongos com câncer de pele foram tratados durante 42 dias com a proteína e os tumores desapareceram. Em cobaias que passaram por tratamento de seis meses, o câncer não voltou a se manifestar. Além disso, células malignas que se espalharam para o pulmão também regrediram.

A pesquisa é feita no Laboratório de Bioquímica e Biofísica do Butantan, e a descoberta dos benefícios da saliva do carrapato foi feita por acaso. No início, os pesquisadores buscavam encontrar uma capacidade anticoagulante na saliva do parasita, mas perceberam que a proteína também matava células tumorais. “Nos animais sem tumores, vemos a molécula dar uma volta e ser excretada. Nos que têm tumor, ela fica estacionada. Isso demonstra a baixa toxicidade da droga”.

Esperança também numa planta

Um outro estudo, com pesquisadores brasileiros e de Cingapura, testa os benefícios do Danshen, uma planta também conhecida como Ginseng Vermelho, no combate ao câncer de mama. Experimentos em ratos mostram que uma substância da planta inibe o crescimento de tumores na mama, porque inibe o hormônio estrógeno. Além disso, a planta não mostrou ser muito tóxica. A previsão é que, em 2015, testes sejam feitos em humanos. Os experimentos devem acontecer no Brasil e Cingapura, por causa da nacionalidade dos cientistas.

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