Por victor.duarte

Bélgica - Mais de cem mil pessoas, segundo fontes policiais, participaram nesta quinta-feira de uma grande manifestação em Bruxelas contra as políticas sociais e trabalhistas do novo governo da Bélgica, que terminou com violentos confrontos entre participantes e forças de segurança.

Os conflitos deixaram cerca de 20 pessoas feridas, incluindo manifestantes e policiais, segundo um porta-voz da Cruz Vermelha da Bélgica. A força sindical formada pelos democratas-cristãos do CSC, os socialistas do FGTB e os liberais do CGSL convocaram a manifestação em Bruxelas e novos protestos contra o acordo firmado pela coalizão de centro-direita que governa na Bélgica desde 11 de outubro.

Protestos contra política trabalhista do novo governo belga tomam ruas de BruxelasEfe

Os sindicatos se opõem ao aumento da idade de aposentadoria, às reformas na previdência e à suspensão do reajuste salarial anual, medidas incluídas no pacto governamental. O primeiro-ministro da Bélgica, o liberal francófono Charles Michel, disse nesta quinta-feira no parlamento belga que entende as dúvidas e "a raiva" dos manifestantes, mas ressaltou a necessidade das reformas.

Os manifestantes percorreram grande parte do centro da capital belga, o que causou sérios problemas ao transporte público. Os distúrbios ocorreram no quase no fim da manifestação, quando um grupo formado por centenas de manifestantes enfrentou a polícia atirando paralelepípedos, pedras, ovos e outros objetos. Entre outros incidentes, um ônibus tombou no meio da rua e veículos foram incendiados, inclusive várias motos da polícia.

Protestos contra política trabalhista do novo governo belga tomam ruas de BruxelasEfe

A polícia respondeu os ataques com gás lacrimogêneo e jatos d'água para dispersar os manifestantes violentos, que não pararam de atirar objetos durante o protesto. As manifestações convocadas nesta quinta-feira afetaram a circulação de ônibus, táxis, bondes e do metrô de Bruxelas, assim como o serviço público e os setores comercial e industrial, onde os protestos obrigaram a suspensão das atividades.

O secretário-geral do sindicato CGSLB, Oliver Valentin, disse à Agência Efe que o objetivo era transmitir ao novo governo a mensagem que "há medidas inaceitáveis para os trabalhadores e para os interlocutores sociais". "O governo decidiu adotar uma política de austeridade e todos os países europeus viram que esse tipo de política não funciona, o que é preciso é aumentar o emprego e o crescimento", apontou.

Depois da manifestação desta quinta-feira, diversas greves devem ser convocadas em várias províncias do país, que deverão organizar uma greve geral no dia 15 de dezembro

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