Exército do Paquistão assume controle de escola após morte de mais de 100

Grupo talibã entrou e matou com bala na cabeça 141 pessoas, incluindo 132 crianças. Autoridades internacionais condenam pior atentado da história do país

Por O Dia

Paquistão - O exército do Paquistão conseguiu retomar o controle de uma escola atacada nesta terça-feira por talibãs e onde pelo menos 141 pessoas morreram, incluindo 132 crianças. Outras 124 pessoas ficaram feridas, e destas 121 são crianças. Segundo o jornal francês "Le Figaro", o ministro da Informação Mushtaq Ghani disse que a maior dos estudantes foi morta com uma bala na cabeça.

Por volta das 18h20 locais (11h20 de Brasília), o Exército paquistanês assumiu o controle da escola, que fica em Peshawar, no Noroeste, seis horas após o início do ataque terrorista, que é considerado o pior da história do país. Após matar ao menos seis criminosos dentro do colégio, o exército iniciou uma operação contra os talibãs na cidade e posteriormente a ampliou ao resto da província de Khyber Pakhtunkhwa para buscar outros insurgentes, afirmou o porta-voz.

Homem fala ao telefone ao lado de aluno de escola militar. Grupo talibã fez estudantes e professores reféns em ataque no PaquistãoReuters

Maior parte dos mortos é de meninos entre 7 e 17 anos

A maior parte dos mortos e feridos é de meninos entre 7 e 17 anos que estudavam neste colégio administrado pelos militares quando começou o ataque, antes do meio-dia, com a entrada de um grupo de talibãs que usava uniformes do exército. Os insurgentes abriram fogo e lançaram granadas na direção dos jovens e professores, disse Wali. Testemunhas contaram à imprensa local que os talibãs foram de sala em sala atirando nos estudantes.

O diretor-geral do escritório de relações públicas do exército (ISPR), Asim Bajwal, declarou em sua conta no Twitter que "seis terroristas" morreram na operação de resgate, embora alguns sites e jornais tenham elevado o número a nove. Os militares tiveram dificuldades na operação porque os talibãs colocaram explosivos dentro do colégio, segundo Bajwal.

TTP assume autoria do ataque

O principal grupo talibã paquistanês, o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), reivindicou a autoria do ataque e alegou que, "para o "exército", suas famílias "são alvos" nas operações militares contra os insurgentes nas regiões tribais do Waziristão do Norte e de Khyber.

"Queremos que sintam nossa dor", disse o grupo em comunicado, no qual acrescentou que entre seus membros que participaram do ataque estavam "suicidas" com "ordens de atirar nos estudantes mais velhos, mas não nas crianças", como reproduziram jornais paquistaneses.

Ataque talibã matou mais de 100 pessoas em escola do PaquistãoReuters

O ataque de hoje é um dos piores dos últimos anos no país asiático, que viveu no começo de novembro um atentado que deixou 57 mortos e 112 feridos no posto de fronteira de Wagah, entre o Paquistão e a Índia. O exército paquistanês realiza uma campanha desde junho nas regiões do Waziristão e de Kyhber com contínuos bombardeios e operações terrestres que, de acordo com fontes oficiais, causaram mais de 1.100 mortes.

Obama condena ataque e reitera compromisso contra terrorismo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou nesta terça-feira o "atroz" ataque dos talibãs contra a escola do Paquistão e reiterou seu compromisso com a luta contra o terrorismo e o extremismo. "Os Estados Unidos condenam nos termos mais fortes o horrendo ataque", afirmou Obama em um comunicado divulgado pela Casa Branca. "Os corações e orações" dos americanos estão com as vítimas do massacre e suas famílias, acrescentou.

"Estamos com o povo do Paquistão e reiteramos o compromisso dos Estados Unidos de apoiar o governo do Paquistão em seus esforços para combater o terrorismo e o extremismo, e para promover a paz e a estabilidade na região", concluiu Obama.

Pouco antes do comunicado com as declarações do presidente, os EUA já tinham condenado o ataque "desumano" e "sem sentido" por meio de seu embaixador no Paquistão, Richard Olson. "Poucos sofreram mais nas mãos de terroristas e extremistas do que o povo do Paquistão", afirmou o diplomata.

Reino Unido expressa apoio ao governo paquistanês após 'horrendo' ataque

O ministro britânico das Relações Exteriores, Philip Hammond, expressou o apoio do Reino Unido ao governo do Paquistão nesta terça-feira após o "horrendo" ataque talibã à escola. "Nada pode justificar um ataque horrendo como este a crianças que vão ao colégio", o Reino Unido trabalha "ombro a ombro com o governo e o povo do Paquistão na luta contra o terrorismo e o extremismo", disse o ministro, em comunicado.

Soldado acompanha crianças resgatadas de escola no PaquistãoReuters

O chefe da diplomacia britânica se disse "horrorizado" pelo ataque na cidade de Peshawar, no Noroeste do Paquistão. Hammond lamentou a "trágica perda de vidas" e enviou suas "mais profundas condolências às vítimas e suas famílias".

Malala condena ataque talibã 'atroz e covarde' contra escola

A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz neste ano, condenou nesta terça-feira o ataque "atroz e covarde" cometido pelos talibãs contra uma escola no Paquistão. "Tenho o coração destroçado por este ataque sem sentido e a sangue frio cometido em Peshawar", disse Malala em um comunicado.

"Condeno este ato e apoio o governo do Paquistão no esforço para abordar este problema", afirmou Malala, que em 2012 quase morreu em um ataque de um talibã ao ser atingida por um disparo na cabeça por defender a edução das mulheres.

Malala, de 17 anos, lamentou a morte das crianças, a quem chamou de "irmãos e irmãs", e garantiu que este tipo de ação nunca a fará desistir. A ativista pela educação, que compartilhou o Nobel com o presidente da Marcha Global contra o Trabalho Infantil, Kailash Satyarthi, afirmou que as vítimas são crianças inocentes que estavam na escola e não deveriam sofrer este "horror".

ONU condena 'ato de crueldade' no Paquistão

O coordenador das Nações Unidas no Paquistão, Timo Pakkala, qualificou nesta terça-feira de "bárbaro" e definiu como "ato de crueldade" o ataque de um grupo talibã contra a escola paquistanesa."Estamos em estado de choque por este ato de crueldade e brutalidade e expressamos nossa mais profunda tristeza para as famílias dos mortos e feridos", disse o coordenador em um comunicado.

Pakkala afirmou que "é um momento muito triste para os paquistaneses". "Estamos ao lado deles para proteger suas crianças. Atacar as crianças e a sua educação não respeita os mais fundamentais princípios de humanidade", disse.

Hollande condena 'ignóbil atentado' em Peshawar

O presidente da França, François Hollande, condenou duramente o "ignóbil ataque" cometido nesta terça-feira contra uma escola de Peshawar, no Noroeste do Paquistão, que deixou mais de cem pessoas mortas, a maioria crianças.

"Não há palavras para qualificar um atentado tão abjeto contra crianças em sua escola", disse o chefe do Estado em comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu. A França "fornece seu apoio ao governo do Paquistão em sua luta contra o terrorismo" e está ao lado das vítimas e seus pais, acrescentou a nota.

Com EFE.

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