Há menos mortes e mais sequestros de jornalistas em 2014, diz organização

Em 2014, foram assassinados 66 jornalistas, contra 71 no ano passado, mas número de sequestrados aumentou de 87 para 119 casos

Por O Dia

Em agosto deste ano, o jornalista americano Peter Theo Curtis voltou aos EUA após dois anos sequestrado na Síria pela Frente Al Nusra, afiliada a Al QaedaReprodução (arquivo)

Brasília - O número de jornalistas assassinados registrou redução em 2014, mas aumentou o de profissionais sequestrados em relação ao ano passado, mostra relatório publicado nesta terça-feira pela organização Repórteres sem Fronteiras (RSF).

Em 2014, foram assassinados 66 jornalistas, contra 71 no ano passado, mas o número de sequestrados aumentou de 87 para 119 casos. De acordo com o levantamento da RSF, há ainda 40 profissionais da imprensa que permanecem reféns em todo o mundo.

Segundo a organização, “os assassinatos são praticados com maior barbárie e os sequestros aumentam consideravelmente com o objetivo, por parte de quem os comete, de impedir que exista uma informação independente”.

“Poucas vezes o assassinato de jornalistas para fins de propaganda foi perpetrado com tanta barbárie”, destaca a RSF no relatório, elaborado anualmente desde 1995.

Dois terços dos assassinatos foram registrados em zonas de conflito: na Síria – país que, à semelhança do ano passado, figura como o mais perigoso para os jornalistas, com 15 mortes –, nos territórios palestinos, sobretudo em Gaza (sete mortes), no Leste da Ucrânia (seis), no Iraque e na Líbia (ambos com quatro).

A RSF registrou menos assassinatos de jornalistas em países “em paz”, como a Índia e as Filipinas.

Já o número de sequestros, ao contrário dos assassinatos, disparou 37%, de acordo com a organização defensora da liberdade de imprensa, com sede em Paris.

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“Os sequestros foram particularmente numerosos na região do Oriente Médio e no Norte da África. Este ano, foram sequestrados 29 jornalistas na Líbia e 37 na Síria. No Iraque, o número chegou a 20. Essa tendência explica-se, sobretudo, pela ofensiva do grupo extremista Estado Islâmico na região”, diz a RSF.

O número de jornalistas detidos em todo o mundo manteve-se em 178, com a China liderando a lista (17% do total), em que também constam o Egito, a Eritreia, o Irã, a Síria, o Vietnã e a Arábia Saudita.

O levantamento indica ainda que, em 2014, 139 jornalistas tiveram que se exilar, ou seja, o dobro em relação ao ano passado. Esse ranking é novamente liderado por países como a Líbia (43), Síria (37), Etiópia (31) e o Azerbaijão (6).

O número de detenções de jornalistas teve aumento de 3%, atingindo 853 casos. “Evidentemente, os interrogatórios e as detenções são ataques à liberdade de expressão, cuja gravidade não pode comparar-se à dos assassinatos ou sequestros prolongados. Contudo, constituem obstáculos para o seu trabalho e, por vezes, intimidações violentas”, informa a RSF.

A organização Repórteres sem Fronteiras constata ainda uma redução em 15% das ameaças ou agressões a jornalistas, para um total de 1.846 ataques. Países como a Venezuela, Turquia, Ucrânia e China figuram entre os menos seguros para os profissionais dos meios de comunicação.

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