Por joyce.caetano

Califórnia - Milhões de estrelas-do-mar morreram durante os últimos meses no litoral do Pacífico, do Alasca ao México, em uma epidemia que está afetando ao ecossistema marinho e cuja origem poderia estar em um vírus, conforme os mais recentes estudos.

Em entrevista à Agência Efe, o pesquisador da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e coautor do estudo que aponta o vírus como o mais provável responsável pelo desaparecimento em massa destes animais, Peter Raimondi, diz que se trata de um agente infeccioso que existiu há mais de meio século.

Milhões de estrelas-do-mar morreram durante os últimos meses no litoral do PacíficoEfe


"Não se trata de um vírus novo. Ele existiu e teve presença nesta costa há 70 anos. Está presente em animais de aquários e museus que foram capturados na época. O que tentamos entender agora é por que voltou tão forte nesses últimos meses", explicou Raimondi.

O atual surto, que já matou milhões de estrelas-do-mar no litoral do Oceano Pacífico dos Estados Unidos e arrasou a população desta espécie em algumas áreas, começou entre maio e junho de 2013 no litoral do estado de Washington.

A partir de então, se estendeu rapidamente para o norte e o sul, afetando Oregon, Califórnia, Alasca e o litoral oeste do Canadá e do México. As estrelas-do-mar afetadas perdem os braços e seus tecidos se enfraquecem até se desintegrarem totalmente.

O vírus identificado como suposto causador desta doença afeta com gravidade apenas às estrelas-do-mar, mas também vive em outros animais, como os ouriços-do-mar e os sedimentos. Contudo, os cientistas insistem em falar de "suposto" porque, embora tudo aponte para ele, as provas ainda são inconclusivas.

"Os ouriços-do-mar são portadores do vírus, mas não são afetados de forma virulenta. Se isso acontecesse poderia dificultar muito a fase de recuperação para as estrelas, já que significaria que o vírus continuaria presente no ambiente mesmo que não existam mais estrelas", ressaltou Raimondi.

De forma mais imediata, o desaparecimento em massa das estrelas-do-mar está aumentando muito a população de mexilhões e ouriços-do-mar, que fazem parte da dieta destes invertebrados.

Ao mesmo tempo, a existência do vírus faz diminuir a população de outras espécies que acostumam se alimentar de estrelas. A questão afeta toda a biodiversidade da região.

"Acreditamos que foi o estresse causado por uma mudança no entorno o que desencadeou a volta mais forte do vírus", comentou o pesquisador da universidade.

Este estresse poderia ser resultado de fatores naturais, como a intensa seca crônica na Califórnia e grande parte do oeste dos EUA há três anos, ou derivado de atividades humanas, como a poluição e a superexploração do litoral.

"Outra possibilidade é que tenha sofrido mutação, embora nossa principal teoria seja de que o surto atual esteja vinculado a um fator de estresse", destacou Raimondi.

Até que se descubra o que causou a situação, não será possível determinar com exatidão se este surto pode voltar a acontecer no futuro e vir a representar uma ameaça para outras regiões do planeta. Apesar de tudo, novas estrelas jovens estão aparecendo nas áreas devastadas pela epidemia.

Antes de morrer, as estrelas-do-mar macho e fêmea soltaram esperma e ovos, respectivamente. Isso levou à fertilização dos ovos na água e, agora, novos exemplares estão crescendo, dando esperanças para que o repovoamento possa acontecer.


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