Cientista política cubana comenta a volta das relações entre EUA e Cuba

Teresa Sopeña, 68 anos, relata como Havana reagiu ao anúncio de que países retomaram diálogo após 52 anos

Por O Dia

Rio - A expectativa de uma mudança em Cuba ainda mexe com o imaginário de quem mora na ilha de Fidel Castro. Os passos que serão tomados nos próximos meses parecem não esbarrar na oposição de parte do Congresso americano, que não se mostra favorável à reaproximação. Fato, no entanto, é que a notícia da retomada das relações diplomáticas com os EUA provocou uma euforia nas ruas de Havana, principalmente, que parece não ter hora para acabar. O DIA ouviu alguns cubanos para falar sobre essa nova fase no país.

"Nem tenho palavras para expressar tanta emoção e alegria. O encontro das famílias dos recém-libertados com Raúl Castro foi comovente. Do aeroporto, foram direto para o cemitério, para depositar flores nos túmulos das mães de dois deles, que morreram enquanto estavam presos. Foi impressionante. As pessoas nas ruas estão tão felizes.

No início, havia muita expectativa porque, quando anunciaram que Raúl falaria em rede nacional, ao meio-dia, as pessoas pensaram que poderia ser algo relacionado à saúde ou até a morte de Fidel Castro. Depois, pela internet, soubemos que os três heróis já estavam em Cuba.

Quando Raúl falou, relatando as negociações com Obama, todos foram tomados por uma enorme alegria. É indescritível.

Estou chorando agora e chorei naquela hora. As pessoas foram para a rua, nos centros de trabalho todos se abraçavam, a confraternização era geral.
As pessoas abraçavam desconhecidos numa grande festa.

Acho que desde 1959, quando do triunfo da Revolução, não se via tanta alegria nas ruas. É muito importante que esta conquista tenha sido obtida quando os dirigentes históricos da revolução ainda estejam à frente da sociedade cubana. Isso é um grande mérito e uma garantia de que os princípios serão mantidos.

Tempos difíceis estão por vir, mas temos confiança em que podemos avançar e construir um país com uma sociedade mais justa e um desenvolvimento sustentável. Juro que não acreditava que viveria o suficiente para ver a libertação dos heróis. Imagina como estará Fidel!"


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