Calor é um grande inimigo das crianças

Mesmo que não estejam sob o sol, pequenos correm risco de ter crises convulsivas e desmaios

Por O Dia

Rio - Não é apenas do sol escaldante que é preciso se proteger no verão. Até mesmo ficar em casa pode trazer problemas de saúde, especialmente para as crianças. O grande risco é a intermação, que ocorre quando os pequenos permanecem longos períodos em ambientes quentes e sem ventilação. Segundo levantamento feito pelo Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, entre cinco e 10 crianças por dia dão entrada na unidade durante o mês de dezembro com sintomas como desmaios e crises convulsivas.

Crianças se refrescam na água em praia de IpanemaJoão Laet / Agência O Dia


Sem a devida prevenção, o distúrbio pode provocar até a morte, como o caso do menino Gabriel, abandonado por duas horas dentro de um carro no último dia 12. Idosos, que têm a imunidade reduzida, também fazem parte do grupo de risco.

Segundo o diretor do Miguel Couto, Luiz Essinger, o distúrbio se desenvolve de maneira progressiva. Começa com cansaço e desinteresse da criança em brincar e depois se transforma em irritação e fortes dores de cabeça. “O principal indício de intermação a que os pais devem estar sempre atentos é o rosto da criança, que fica avermelhado, quente e sem suor”.

De acordo com o especialista, a principal medida é a prevenção. Janelas devem estar sempre abertas para permitir a circulação do ar. Além disso, é melhor vestir roupas leves e claras durante o dia.

UM COPO DE ÁGUA POR HORA

É essencial, ainda, dar à criança um copo de água a cada hora, mesmo que o pequeno não peça. Segundo o gerente do Programa de Saúde da Criança da Secretaria Municipal de Saúde, Carlos José Borges Ornelas, quando aparece reclamação sobre sede, já há perigo. “Trata-se de um sinal precoce de desidratação”, afirma. Se mesmo todas estas medidas não forem suficientes, a recomendação é colocar um pano úmido na barriga e na testa da criança para diminuir a temperatura corporal.

O problema é mais grave em pequenos de até 7 anos. “Eles não reclamam do calor. Se o responsável não tomar cuidado só vai perceber o problema quando ele estiver avançado”, aponta Essinger.