Mulheres e meninas viram escravas sexuais no Iraque

Terroristas do Estado Islâmico vêm submetendo milhares de mulheres à extrema violência, diz Anistia Internacional

Por O Dia

Rio - Após terem sido submetidas a torturas, estupros, casamentos forçados e escravidão sexual, 42 meninas e mulheres iraquianas que conseguiram escapar das mãos de terroristas contaram suas histórias. O relatório ‘Fuga do Inferno’, divulgado ontem pela Anistia Internacional, apresenta depoimentos das vítimas de terroristas da organização Estado Islâmico (EI). Todas pertencem à minoria religiosa Yazidi. Muitas cometeram suicídio.

“Centenas tiveram as vidas destruídas pelos horrores da violência sexual e da escravidão. Muitas são crianças, meninas de 14 anos ou até mais novas”, afirmou Donatella Rovera, diretora de Resposta a Crises da Anistia Internacional, que colheu os depoimentos. Segundo o documento, cerca de 300 sequestradas já escaparam, mas outras 3,5 mil capturadas no meio do ano ainda estão sob o controle do EI.

Os yazidis seguem uma religião que combina cristianismo, judaísmo e islamismo. Eles são considerados pelos militantes do EI como ‘adoradores do demônio’. Segundo o relatório, daí a intensa e cruel perseguição.

O material da Anistia cita várias histórias, entre elas a de Jilan, 19 anos, que cometeu suicídio por medo de ser estuprada, segundo o depoimento de outra refém. “Um dia, eles nos deram roupas que pareciam vestidos de dança e nos disseram que devíamos nos lavar antes de nos vestirmos. Jilan se matou no banho, cortou os pulsos, Era muito bonita. Acho que ela sabia que um homem ia levá-la e se matou por isso”, contou a sobrevivente.

“As consequências psicológicas e físicas das terríveis violências são catastróficas. Muitas foram torturadas e tratadas como gado. Mesmo aquelas que conseguiram escapar permanecem profundamente traumatizadas”, acrescentou Rovera.

Segundo a Anistia Internacional, muitas sobreviventes não estão recebendo o apoio de que necessitam. O ministro alemão do Desenvolvimento Estrangeiro, Gerd Müller, afirmou que a cidade de Berlim está montando um centro dedicado a receber mulheres vítimas de abusos do EI. Mas o programa só teria vagas para 100 mulheres.

No relatório, a Anistia pede ao governo da região do Curdistão, à ONU e a organizações humanitárias que identifiquem sobreviventes e ofereçam auxílio médico e serviços de apoio.

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