Paris registra onda de ataques contra estabelecimentos judaicos

França teve 527 episódios antissemitas de janeiro a julho de 2014: aumento de 91% em relação a mesmo período de 2013

Por O Dia

França - A "cidade luz" vem sendo assolada nos últimos dias por uma onda de ataques contra estabelecimentos judaicos em uma nova leva do antissemitismo com o qual Paris é abatida desde sempre em tempos de crise. De acordo com o jornal israelense Haaretz, nesta sexta-feira (26) foi registrado o terceiro incidente do tipo em apenas uma semana na capital francesa: uma loja de pinturas de propriedade de um judeu foi atacada com tiros em sua fachada.

Quem divulgou a descoberta do ataque foi Sammy Gholan, fundador do BNVCA – organização que patrulha atos de antissemitismo em território francês. "Depois dos ataques que levaram escolas judaicas e sinagogas a se transformarem em fortes, agora os negociantes judeus também se tornaram alvos", escreveu no site do grupo em referência aos muros de segurança e ao controle rígido feito em estabelecimentos oficialmente judaicos no mundo inteiro (inclusive no Brasil).

Na antevéspera, no dia 24 de dezembro, outro caso de antissemitismo, quando um tiro foi disparado contra uma sinagoga. No Natal, dia 25, criminosos atiraram contra a fachada de um restaurante kasher – onde o preparo dos alimentos é feito de acordo com as regras da religião, sob a supervisão de um rabino.

Segundo a BNVCA, os responsáveis pelo ataque à loja de impressão descobriu que o dono era judeu devido à mezuzá instalada na entrada do estabelecimento – símbolo que, segundo as tradições, protege o ambiente onde é afixado, sempre no umbral de portas.

O antissemitismo sempre foi uma realidade na Europa e atingiu seu ápice durante a Segunda Guerra Mundial, quando o líder da Alemanha nazista, Adolf Hitler, instituiu aquela que foi chamada de Solução Final Judaica – um plano para eliminar os judeus da Europa da forma mais rápida e eficaz.

No total, cerca de seis milhões de judeus foram mortos entre 1939 e 1945 nas ruas, em chacinas, em campos de concentração e nos infames "caminhões de gás" e "câmaras de gás". Quase 80 mil viviam na França.


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