Suspeitos de atentado teriam declarado desejar 'morrer como mártires'

De acordo com a CNN, comentário teria sido feito nas primeiras negociações com a polícia para libertar refém da fábrica

Por O Dia

França - Os dois supostos autores do ataque terrorista a revista Charlie Hebdo teriam conversado com policiais por telefone e afirmaram que querem "morrer como mártires", disse membro do parlamento francês no distrito onde a dupla é cercada no Nordeste de Paris nesta sexta-feira. As informações são da CNN, na qual seriam parte das primeiras negociações com a polícia.

Yves Albarello, que está na área de Dammartin-en-Göele onde os agentes estão à procura dos suspeitos, conversou com o canal francês iTele. Há ainda relatos da mídia sobre um possível refém tomado pelos suspeitos na mesma cidade, que fica a poucos quilômetros do aeroporto Charles de Gaulle. O tráfego aéreo do aeroporto foi alterado. Os irmãos Kouachi são acusados de matar 12 pessoas no ataque, da última quarta-feira, a revista Charlie Hebdo.

Suspeitos de atentado a revista francesa estariam com reféns em fábrica

Helicópteros sobrevoam a uma zona industrial em Dammartin-en-Göele%2C no nordeste de ParisReuters

Há relatos de que o refém poderia ser um homem de 28 anos, que deveria estar na gráfica da fábrica no momento do ataque, e sua família não consegue contatá-lo

Comboios de vans da polícia com suas luzes azuis piscando encheram as ruas dos bairros residenciais da região. Um hospital nas proximidades enviou uma equipe médica para a área onde as autoridades estão concentradas. Uma ambulância foi vista na cena, composta basicamente por policiais armados com fuzis. Um morador local disse à CNN que as ruas de Dammartin-en-Goele estavam bloqueada.

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, solicitou que todos permaneçam em suas casa e fechem suas janelas. Além disso, ele pediu a colaboração de todos no entorno da operação de resgate do refém e de prisão dos fugitivos, para que possa se desenvolver da melhor forma.

Encurralados

Os suspeitos estão cercados em uma fábrica, informaram fontes locais citadas por agências de notícias. Um Peugeot 206 havia sido roubado na manhã desta sexta (9) de uma mulher na região de Oise e seguiu em direção a Seine- et -Marne, próximo a Paris. Segundo o jornal "Lé Monde", a descrição dos assaltantes bate com a dos dois suspeitos do ataques.

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De acordo com a imprensa francesa, forças de ordem perseguiram e trocaram com dois suspeitos.

O Ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, confirmou que uma operação está em andamento em Dammartin-en-Goële, onde há pouco foi ouvido um tiroteio, mas não deu mais detalhes.

Suspeitos

Um dos dois irmãos suspeitos de matar 12 pessoas em na revista satírica Charles Hebdo em Paris viajou ao Iêmem em 2011 e recebeu treinamento terrorista da filial da Al Qaeda antes de voltar para a França. As informações são do jornal New York Times, que cita um alto funcionário americano como fonte.

Chérif Kouachi e Said Kouachi estavam sob a mira das autoridades na França e nos Estados UnidosReprodução

De acordo com a publicação, Said Kouachi, de 34 anos, passou "alguns meses" participando de treinamentos de combate, pontaria e outras habilidades. Autoridades francesas e americanas já sabiam que Kouachi havia treinado no Iêmen.

Ele estava entre muitos outros jovens muçulmanos do Ocidente que foram ao Iêmem inspirados por Anwar al-Awlaki, um clérigo radical nascido nos Estados Unidos, que em 2011 tornou-se uma das figuras mais importantes do grupo terrorista Al-Qaeda, na Península Arábica. Antes de ser morto em um ataque de drone americano em setembro de 2011, Awlaki pediu repetidamente a morte dos cartunistas que insultaram o profeta Maomé.

Kouachi assim como seu irmão mais novo Chérif, de 32 anos, estava sob a mira das autoridades na França e nos Estados Unidos, e de acordo com um funcionário da inteligência americana ambos estavam no banco de dados americano de terroristas conhecidos ou suspeitos e eram proibidos de viajar para os Estados Unidos.

Chérif Kouachi chamou a atenção das autoridades francesas como um possível terrorista há dez anos. Ele foi preso na França em 2005, quando se preparava para viajar para a Síria, a primeira etapa de uma viagem que tinha como destino o Iraque.

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