Em vez de castigar, pais devem conversar para evitar que filhos mintam

Pesquisa revela que crianças são menos propensas a falar a verdade quando havia medo de sofrer consequências

Por O Dia

Rio - A Ciência revelou que a tática usada com o personagem Pinóquio é falha. No lugar da punição, com o crescimento do nariz a cada mentira contada, o melhor seria uma conversa, mostrando a importância da honestidade. Este é o resultado de pesquisa canadense com 372 crianças entre 4 e 8 anos. Os pequenos foram menos propensos a falar a verdade quando havia medo de sofrer consequências.

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, colocaram as crianças sozinhas em uma sala, além de uma mesa com um brinquedo atrás delas e um pedido: não ver o objeto. Uma câmera escondida filmou o local. Segundo o estudo, 251 (67,5%) participantes espiaram o brinquedo. Desses, 167 (66,5%) mentiram a respeito do ato.

De acordo com os cientistas, as crianças eram mais inclinadas a negar o ato proibido quando tinham medo de ser punidas. Por outro lado, os voluntários recorreram à verdade quando acreditavam que isso é o certo; faria com que eles se sentissem bem e agradava os adultos. Pesquisadores apontam que, quanto mais velha a criança, maior a inclinação a contar mentiras e a sustentá-las.

“Não lido na base do castigo. Tenho a preocupação em fazer do meu filho um grande cidadão”%2C Joana Maia%2C do larAndré Luiz Mello / Agência O Dia

De acordo com Angela Soligo, psicóloga e professora da Faculdade de Educação da Unicamp, ameaças e castigos não funcionam por não formarem nas crianças o conceito de certo e errado. Ela cita ainda que, com o gesto equivocado dos responsáveis, a tendência é o pequeno mentir ainda mais para fugir das punições.

“Ameaças só produzem mais medo nas crianças, e o medo não é um bom educador. É importante que elas saibam por que não podem mentir e quais as consequências disso”, explica. E quando o pequeno for ‘pego na mentira’, a recomendação é, com calma, conversar para ver o que motivou o gesto. Outra regra valiosa, diz Angela, é o exemplo dos responsáveis. E isso inclui aquela clássica mentirinha “Fala que eu não estou”, usada para fugir das ligações indesejadas. “Exemplo é fundamental. Às vezes os pais ensinam a não mentir, mas mentem”.

Diálogo é a base do relacionamento da dona de casa Joana Carla Lopes Maia, 41 anos, com o filho João Lopes Borges, 7. Joana e o marido mostram para o pequeno que mentira “é do mal” e traz consequências, como perda de confiança. “João tenta não mentir. Há momentos em que percebemos que ele omite algumas coisas, mas depois se arrepende e fala”, cita.

Carlos Guilherme Figueiredo, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria, lembra que há diferença entre mentira e fantasia, mas, para pais atentos e participativos, não é difícil distinguir uma da outra. O hábito de contar histórias imaginárias começa aos 2 anos e pode ir até os 7, segundo o psiquiatra. “Para saber se é mentira ou fantasia, o pai deve analisar o contexto em que a criança conta a história”.

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