Manifestação islamofóbica leva milhares de alemães às ruas de Dresden

Protesto, que foi organizado por um grupo contra a islamização do oriente, foi condenado pela chanceler alemã, Angela Merkel

Por O Dia

Alemanha - Milhares de alemães foram às ruas nesta segunda-feira, respondendo a uma nova convocação do movimento Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente (Pegida), na cidade de Dresden, anunciada como um manifestação de luto pelas vítimas do semanário francês "Charlie Hebdo". Centenas de bandeiras alemãs, cartazes chamando a imprensa de mentirosa e pressionando pela proibição da entrada de estrangeiros no país encheram uma praça no centro de Dresden, na 12ª manifestação convocada pelo Pegida, sempre às segunda-feiras.

Centenas de pessoas foram às ruas protestar contra a permanência de muçulmanos na EuropaReuters


Apesar de alguns dos manifestantes mostrarem mensagens com os nomes dos cartunistas mortos no atentado de Paris, a maior parte dos presentes protestava contra a suposta islamização da sociedade alemã. O Pegida manteve a convocação como um desafio aos vários pronunciamentos públicos contrários ao movimento, incluindo o do ministro da Justiça da Alemanha, Heiko Maas. Em entrevista ao jornal "Bild", ele afirmou que a manifestação deveria ser suspensa se os organizadores tivessem "o mínimo de decência". O protesto em Dresden provocou, em paralelo, várias manifestações contrárias em todo país.

Milhares de pessoas também foram às ruas para protestar contra o fanatismo e o Pegida. Um grupo de cartunistas franceses alertou no Facebook para que as pessoas não fossem enganadas com as falsas condolências dos islamofóbicos e denunciou o uso "cínico" do terrorismo jihadista por parte do Pegida. "As vítimas de Paris não foram assassinadas por uma religião, mas pelo ódio, ignorância, estupidez e extremismo", afirmam o grupo na mensagem, assinada por 14 caricaturistas, entre eles o holandês Willem, membro fundador da "Charlie Hebdo".

Em Berlim, a chanceler Angela Merkel lembrou hoje que ela é governante de todos os alemães, independentemente da origem ou religião. O pronunciamento foi feito ao lado do primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, que fazia visita ao país. Desde o final de dezembro a chanceler tem dado declarações pedindo que as pessoas não apoiem o Pegida.

Amanhã, ela estará em uma reunião convocada pelo Conselho Muçulmano da Alemanha. Depois do encontro, será realizara uma marcha pelo centro de Berlim, semelhante à realizada em Paris no domingo, liderada pelo presidente alemão, Joachim Gauck, representantes de todos os partidos, e do Conselho Central dos Judeus da Alemanha.

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