Mulher procurada na França entrou na Síria na última quinta, diz chanceler turco

Pelas datas a suposta cúmplice de ataques estava na Turquia antes do início da violência em Paris

Por O Dia

Turquia - A mulher suspeita de ser cúmplice dos militantes islâmicos que realizaram ataques em Paris na semana passada atravessou a fronteira da Turquia para a Síria na última quinta-feira, disse o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, nesta segunda. As informações são da agência de notícias estatal Anatolian.

A suspeita, Hayat Boumeddiene, chegou ao aeroporto de Istambul no dia 2 de janeiro via Madri e permaneceu em um hotel, disse Cavusoglu em entrevista à Anatolian. Essas datas significam que a mulher estava na Turquia antes do início da violência em Paris, e que teria partido para a Síria enquanto os agressores ainda estavam foragidos.

A principal suspeita de Coulibaly é a namorada Hayat BoumedienneReprodução / Prefecture de Police

Dezessete pessoas, incluindo jornalistas e policias, foram mortas em três dias de violência na França, que começaram com um ataque à sede do jornal de sátiras Charlie Hebdo na última quarta-feira, e terminou com um sequestro em um supermercado de comida judaica, na última sexta. Os três autores dos ataques também foram mortos.

A polícia francesa está procurando Hayat, de 26 anos e parceira de um dos autores dos ataques. Ela foi descrita pela polícia como "armada e perigosa".

Cavusoglu disse que a Turquia repassou para a França as informações sobre a localização de Hayat assim que as obteve.

Caçada aos terroristas continua

"A caçada continua", disse na manhã desta segunda-feira, em Paris, o primeiro ministro Manuel Valls, sobre os responsáveis pelo atentados terroristas ao semanário Charlie Hebdo e ao supermercado judeu, também na capital francesa. No total, 17 morreram nas ações da última semana.

Em entrevista às emissoras RMC e BFM-TV, Valls afirmou que certamente um dos terroristas, Amedy Coulibaly, morto após manter reféns no supermercado francês, tinha um cúmplice. A principal suspeita é a namorada de Coulibaly, Hayat Boumedienne.

Valls saudou a população francesa pela manifestação deste domingo, que reuniu mais de 1,5 milhão de pessoas nas ruas de Paris. "Mas precisamos ficar em alerta, porque sabemos que as ameaças estão presentes", afirmou o primeiro ministro do país.

Centenas de franceses foram paras ruas prestar homenagem a 'Charlie Hebdo'Reuters

Ele disse que o governo deve melhorar o sistema de intercepção telefônica, para que seja mais eficaz. O primeiro ministro afirmou que o alerta antiterrorismo continua ativado em todo o território.

Cerca de 10 mil homens foram mobilizados para reforçar a segurança do país. Eles serão dispostos em regiões estratégicas, segundo o governo francês. O ex-presidente e líder da oposição ao presidente François Hollande, Nicolas Sarkozy afirmou ser favorável ao armamento dos guardas municipais do país. Em entrevista à emissora RTL criticou o governo, insinuando passividade no combate aos terroristas.

"Se qualquer um pode viajar seis meses para treinar e fazer a Jihad, não devemos deixá-los voltar", afirmou Sarkozy, que também enalteceu a manifestação contra o terror em Paris.

O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, anunciou visita a França na próxima quinta-feira. O anúncio foi feito depois de o governo dos Estados Unidos ter sido criticado por não ter participado da manifestação contra o terrorismo em Paris, neste domingo, que teve a participação de diversos representantes de Estado.

Já a presidente Dilma Rousseff emitiu nota oficial de solidariedade à população francesa, após os atentados terroristas na última semana.

"O governo e o povo brasileiros acompanharam nos últimos dias, com emoção e apreensão, os sucessivos ataques terroristas que vitimaram os membros da redação de Charlie Hebdo, policiais e cidadãos franceses", diz a nota do governo brasileiro, divulgada no último sábado.

Com informações da Reuters e do iG

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