Por felipe.martins, felipe.martins
Brasília e Jacarta - Somente “um milagre” pode salvar o carioca Marco Archer, 53 anos, do fuzilamento na Indonésia, afirmou nesta sexta-feira o assessor especial da Presidência da República do Brasil para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. Até ao Papa Francisco o governo brasileiro pediu ajuda para tentar demover as autoridades do país asiático de cumprirem a pena de morte imposta ao prisioneiro, mas não restam esperanças. Ontem de manhã, o presidente local, Joko Widodo, disse um firme “não” ao apelo feito por telefone pela presidenta Dilma Rousseff para que Archer fosse poupado.
Parentes dos prisioneiros no corredor da morte foram ontem ao encontro dos condenados%2C que estão presos numa ilha%2C onde serão submetidos a fuzilamento neste fim de semanaReuters

Garcia afirmou ainda ter sido informado que a execução seria à 0h de domingo na Indonésia: por volta das 15h de sábado, horário de Brasília. O assessor disse considerar “absolutamente improvável” que o Papa possa vir a mudar a decisão da Indonésia. O advogado de Archer, Utomo Karim, afirmou nesta sexta que o brasileiro não consegue aceitar que será executado. “Ele chora muito”, disse Karim. Ex-instrutor de voo livre, Archer e outro brasileiro, o surfista Rodrigo Gularte, foram condenados à morte por tráfico internacional de drogas. O segundo, porém, ainda não teve a data para a execução marcada.

Em nota, o governo brasileiro informou que Widodo disse a Dilma “compreender” o apelo do Brasil, mas ressaltou que não poderia reverter a sentença, “pois todos os trâmites jurídicos foram seguidos conforme a lei indonésia e aos brasileiros foi garantido o devido processo legal”. Garcia disse que Dilma lamentou profundamente a decisão e que a postura do país asiático joga uma “sombra” nas relações entre as duas nações. A nota revelou que Dilma dirigiu-se a Widodo afirmando “respeitar a soberania da Indonésia e do seu sistema judiciário”, mas que fazia o apelo “como Chefe de Estado e como mãe”, “por razões humanitárias”.

Widodo assumiu a presidência da Indonésia em outubro. Um de seus motes é justamente a mão pesada com traficantes. Por isso, afirmou, mês passado, que rejeitaria os pedidos de clemência das 64 pessoas no corredor da morte por crimes relacionados a drogas.

Archer, que morava em Ipanema, passou os últimos 11 anos na cadeiaDivulgação

As dura leis locais têm apoio da população, já que há muitos viciados em drogas no país. “Com as execuções, mandamos mensagem clara para os membros dos cartéis do narcotráfico. Não há clemência”, relatou à imprensa local Muhammad Prasetyo, procurador-geral da Indonésia. Uma tia de Archer – única parente viva – viajou nos últimos dias para a Indonésia, com assistência diplomática do governo brasileiro.

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Olhos vendados na hora dos tiros
A execução de Archer será realizada ao mesmo tempo que as de cinco outros condenados, todos por tráfico de drogas. Eles receberão tiros de um pelotão de 12 atiradores e, com olhos vendados, poderão escolher se ficam de pé, sentados ou deitados.
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Os outros detentos são o holandês Ang Kiem Soei, 62 anos; o nigeriano Daniel Enemuo, 38; Namaona Denis, 48, do Malaui; e ainda duas mulheres, a vietnamita Tran Thi Bich Hanh, 37, e a cidadã local Rani Andriani, 38. Todos foram sentenciados à morte entre 2000 e 2004, menos Tran, condenada em 2011. O ministro de Relações Exteriores da Holanda, Bert Koenders, disse nesta sexta-feira que o governo de seu país também estavam fazendo o possível para impedir a execução de Soei.
Archer, que morava em Ipanema, era instrutor de voo livre e foi preso ao tentar entrar na Indonésia, em 2003, com 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. A droga foi descoberta pelo raio-x, no Aeroporto de Jacarta. Ele conseguiu fugir do local, mas foi preso duas semanas depois e condenado à morte no ano seguinte. O carioca alega que tentou entrar no país com a carga porque precisava de dinheiro para pagar dívida com hospital onde se tratara de acidente grave.
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