Brasileiro executado na Indonésia levou um único tiro no peito

Declaração foi dada pelo porta-voz da Procuradoria Geral, Tony Spontana; cinzas de Marco Archer serão trazidas ao Rio

Por O Dia

Jacarta - Condenado ao fuzilamento por tráfico de drogas, na Indonésia, o carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, morreu neste sábado (domingo, no país asiático), com um único tiro disparado contra seu peito. A informação foi divulgada pelo porta-voz da Procuradoria Geral da Indonésia, Tony Spontana, e divulgada pelo jornal Folha de São Paulo. 

Segundo o procurador, o brasileiro, que era instrutor de asa-delta, foi amarrado a uma estaca, assim como os outros cinco condenados pelo mesmo crime. Marco foi o segundo deles a ser fuzilado. O fuzilamento do carioca ocorreu dentro do complexo de prisões de Nusakambangan, a 400 km de Jacarta, capital da Indonésia.

Com pedido de clemência negado, instrutor de voolivre foi executado com um único tiro contra seu peito; ele foi o primeiro brasileiro fuzilado por tráfico internacionalDivulgação

O corpo do carioca foi cremado na Indonésia quatro horas depois da execução. As cinzas serão levadas para o Rio de Janeiro pela sua tia, a advogada Maria de Lurdes Archer Pinto. Única parente ainda viva do brasileiro condenado à morte por tráfico de drogas, Maria de Lurdes está na Indonésia e esteve com Marco antes da execução. 

Após o fuzilamento do brasileiro, a presidenta Dilma Rousseff, que tentou a alteração da condenação em inúmeros pedidos, se disse "consternada e indignada". Além disso, convocou o embaixador do Brasil em Jacarta para consultas. No meio diplomático, a medida representa uma espécie de agravo ao país no qual está o embaixador. Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a execução causa “uma sombra na relação entre o Brasil e a Indonésia".

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Por meio de nota, a organização não governamental Anistia Internacional considerou um “retrocesso “ a execução de Marco Archer e de mais cinco traficantes de drogas pela Indonésia. Eles são os primeiros presos executados desde que o presidente Joko Widodo assumiu o cargo. “Este é um retrocesso grave e um dia muito triste. A nova administração tomou posse prometendo fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas vai na contramão desse compromisso”, disse o diretor de Pesquisa sobre a Região do Sudeste Asiático e Pacífico da Anistia Internacional, Rupert Abbott.

Ambulância transporta o corpo do brasileiro Marco Archer de Nusa Kambangan prisão%2C onde cinco dos seis presos foram executadosReuters

Brasileiro foi o primeiro a ser executado por crime no exterior

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. Archer trabalhava como instrutor de voo livre e foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens. Ele conseguiu fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa. Archer confessou o crime e disse que recebeu US$ 10 mil para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, ele foi condenado à morte.

O jornalista Nelson Veiga cobrou medidas duras do governo brasileiro em relação à Indonésia e fez elogios ao amigo. “Ele tinha um coração enorme, era uma pessoa maravilhosa que queria retornar para o Brasil e falar para as crianças que o caminho das drogas só leva a duas coisas: à morte ou à prisão. Ele era um cara com um carisma tão grande que os guardas da prisão emprestavam o celular para ele falar com a gente", disse o amigo à Agência Brasil

Com Agência Brasil


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