'Em uma sociedade livre, há o direito de ofender religiões', diz Cameron

Em entrevista concedida à rede americana CBS, o primeiro-ministro britânico comentou a declaração do Papa Francisco, que sugeriu limites ao falar de fé religiosa

Por O Dia

Washington - "Acredito que em uma sociedade livre há o direito de ser ofensivo com a religião dos outros. Eu sou cristão. Se alguém diz em algum momento algo ofensivo sobre Jesus posso achar ofensivo, mas em uma sociedade livre não tenho o direito de pedir vingança". A declaração, em tom de crítica às palavras do Papa Francisco, foi feita pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, neste domingo, à rede de TV americana CBS. 

Cameron, que na última sexta-feira esteve reunido com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Washington, afirmou ainda que o seu trabalho é “fazer cumprir a lei” e não dizer a um jornal se pode ou não fazer uma publicação. Cameron disse ainda que os países do Ocidente devem mostrar que seus valores, como a liberdade de expressão, são mais fortes do que os perseguidos por extremistas islâmicos.

O primeiro-ministro britânico%2C David Cameron%2C se reuniu com o presidente dos EUA%2C Barack Obama%2C na Casa Branca%2C para discutir o crescimento do extremismo islâmicoEfe

Na quinta-feira (15), o Papa Francisco defendeu a liberdade de expressão, lembrando que é um direito fundamental. no entanto, o Santo Padre destacou que isso também não permite "insultos à fé dos outros". 

"Não podemos provocar, não podemos insultar a fé dos outros, não podemos ridicularizá-la", disse o Papa aos jornalistas a bordo do avião que o levava de Colombo para Manila. A liberdade de expressão deve "exercer-se sem ofender", disse o papa sublinhando que expressar-se era um "direito fundamental".

“Todos têm não apenas a liberdade, o direito, como também a obrigação de dizer o que pensam para ajudar o bem comum. É legítimo usar essa liberdade, mas sem ofender", disse o papa, pedindo verdade, principalmente na atividade política. 

Declarações respondem ao ataque no periódico francês Charlie Hebdo

As mobilizações de autoridades respondem à chacina que ocorreu no periódico satírico francês Charlie Hebdo. No dia 7 de janeiro, 12 pessoas, incluindo alguns dos melhores caricaturistas do país, foram assassinados por dois homens armados que entraram na redação do jornal.

Novo editor-chefe da Charlie Hebdo, Gerard Biard criticou o fundamentalismo religioso e a tentativa de calar a liberdade de expressão.

"Cada vez que desenhamos Maomé, cada vez que desenhamos profetas, cada vez que desenhamos Deus, defendemos a liberdade de religião. Se Deus se mete na política, então a democracia está em perigo", declarou Biard.

Com Agência Brasil

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