Indonésia pede respeito às leis do país após críticas mundiais por fuzilamentos

Mais de 138 presos estão no corredor da morte, a maioria por crimes de drogas. Cerca de um terço deles são estrangeiros

Por O Dia

Indonésia - Após afastar os apelos de clemência de líderes mundiais sobre a execução de estrangeiros por tráfico de drogas, a Indonésia pediu neste domingo respeito pelas suas leis e afirmou que não irá comprometer sua abordagem ao combate dos narcóticos por causa das críticas.

"Podemos entender a reação do mundo e dos países cujos cidadãos foram executados. Mas cada um deve respeitar as leis que se aplicam em nosso país", disse o procurador-geral da Indonésia, Muhammad Prasetyo, ao jornal "The Jakarta Globe".

Os corpos do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, Namaona Denis, 48, de Malawi; Daniel Enemuo, 38, da Nigéria, do indonésio Rani Andriani e de um holandês foram levados para ilha por ambulâncias na manhã deste domingo para serem enterrados ou cremados, conforme solicitação de familiares e representantes de suas embaixadas.

Ambulância transporta o corpo do brasileiro Marco Archer de Nusa Kambangan prisão%2C onde cinco dos seis presos foram executadosReuters

O presidente Joko Widodo rejeitou os pedidos de clemência em dezembro. Ele também recusou o apelo de última hora da presidenta Dilma Rousseff e do governo holandês para poupar seus compatriotas — Archer e Ang Kiem Soe, 52, que nasceu em Papua, mas cuja nacionalidade é holandesa.

O ministro dos negócios estrangeiros holandês, Bert Koenders, disse em um comunicado na tarde deste sábado que havia chamado o embaixador do país na Indonésia para consulta a fim de protestar contra a execução de Ang. Ele chamou a ação de "um castigo cruel e desumano, uma negação inaceitável da dignidade humana e integridade".

A Anistia Internacional disse que as primeiras execuções sob a liderança do novo presidente, que tomou posse em novembro, foram "um passo para trás" para os direitos humanos.

Já o procurador-geral indonésio afirma não haver desculpas para o tráfico de drogas e que "esperançosamente, isso terá um efeito dissuasor". Prasetyo explicou que o novo governo tem um firme compromisso com a luta contra a droga. Widodo informou que não irá conceder clemência a 64 presos por tráfico de drogas no corredor da morte.

"O que fazemos é apenas destinada a proteger a nossa nação do perigo das drogas", disse a jornalistas Prasetyo na última quinta-feira. Ele explicou que dados da Agência Nacional Anti-Narcótico mostrou que há entre 40 e 50 mortes diárias por causa da circulação de drogas na Indonésia.

Foto feita em 2004 mostra Archer na cadeia%2C um ano após ser capturado%3A ele tinha esperanças de ser salvoBanco de imagens

A Indonésia, um arquipélago de 250 milhões de habitantes, tem leis extremamente rigorosas sobre as drogas e muitas vezes executa contrabandistas. Mais de 138 presos estão no corredor da morte, a maioria por crimes de drogas. Cerca de um terço deles são estrangeiros.

Moreira foi preso em 2003 depois de a polícia do aeroporto de Jacarta encontrar 13,4 kg de cocaína escondidos em sua asa delta. O brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte permanece no corredor da morte na Indonésia, também condenado por tráfico de drogas.

Ang foi preso perto de Jacarta, em 2003, depois da polícia encontrar equipamentos para a produção de até 15 mil comprimidos de ecstasy por dia durante três anos. A polícia apreendeu 8 mil comprimidos e milhares de dólares sob o comando do holandês.

Últimas de _legado_Mundo e Ciência