'Não há testemunhas', disse autoridade sobre a morte de promotor argentino

Promotor realizou uma denúncia contra a presidenta argentina, Cristina Kirchner, e vários de seus colaboradores

Por O Dia

Argentina - Os investigadores que tentam esclarecer a morte do promotor argentino Alberto Nisman não encontraram nenhuma carta ao lado do corpo e já deram início à autópsia, cujos resultados serão conhecidos ainda nesta segunda-feira, informaram fontes da promotoria.

"A autópsia já começou", informou aos meios de comunicação a promotora Viviana Fein em sua saída do edifício no qual Nisman vivia na capital argentina, onde foi encontrado morto.

"Não sabemos se o promotor dormiu ou não dormiu, temos a hora de data de falecimento, foi antes do jantar (do sábado)", acrescentou Fein.

Nisman acusou Kircher de acobertar os culpados na explosão ao centro judaico em troca de relações comerciais%3B ele daria mais detalhes ao congresso nesta segunda-feiraReuters

"Não há testemunhas, não há vizinhos, não há nenhuma carta. Não houve oportunidade de falar com vizinhos, mas a princípio também não houve necessidade de falar com eles", disse Fein, que apontou que também não foram questionados os dez policiais que faziam a segurança de Nisman.

Além disso, a promotora assegurou que foram solicitadas "inúmeras provas de distintas divisões científicas-técnicas da Prefeitura e da Polícia Federal", incluindo revisões de câmeras de segurança e de telecomunicações.

Fein também confirmou os dados já divulgados pelo Ministério de Segurança em comunicado na noite deste domingo, segundo os quais o corpo de Nisman foi achado no banheiro de seu apartamento, junto a uma pistola calibre 22 e um cápsula de projétil de bala.

O alarme "soou" quando os guardas de Nisman perceberam que ele não havia retirado de sua porta o jornal de domingo e nem respondia ao telefone e assim, decidiram notificar aos parentes. O corpo foi encontrado por sua mãe, que conseguiu entrar na casa com ajuda de um serralheiro porque a porta estava fechada com chave.

A descoberta do corpo aconteceu horas antes do comparecimento de Alberto Nisman previsto para esta segunda-feira perante o Congresso, para detalhar a denúncia contra a presidenta argentina, Cristina Kirchner, e vários de seus colaboradores pelo suposto encobrimento dos supostos autores do atentado contra Amia, que deixou 85 mortos e mais de 300 feridos em 1994.

Ao apresentar a denúncia, Alberto Nisman afirmou perante a Justiça que contava com gravações de conversas telefônicas entre autoridades iranianas, agentes de inteligência e mediadores argentinos que, segundo o promotor, demonstrariam que a Argentina assinou um memorando de entendimento com o Irã que envolveria o encobrimento de alguns dos principais suspeitos do atentado.

Segundo Nisman, o encobrimento buscava como contrapartida um impulso do comércio bilateral e a troca de petróleo por grãos em um contexto de crise energética no país sul-americano.

Policiais levam o corpo do procurador Alberto Nisman%2C que foi encontrado morto na noite deste domingoEFE

Após a denúncia, o governo se apressou para acusar o promotor de mentir e de se deixar levar por conflitos internos na Secretaria de Inteligência, enquanto a oposição reivindicou que se tratava de uma denúncia de urgência, o que foi negado pela Justiça na quinta-feira.

O atentado contra a Amia deixou 85 mortos e 300 feridos em 18 de julho de 1994, dois anos depois que uma bomba explodiu diante da embaixada de Israel em Buenos Aires e provocou a morte de 29 pessoas.

A investigação e a comunidade judaica atribuem ao Irã e à organização Hezbollah o planejamento e execução de ambos atentados.

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