Por felipe.martins

Argentina - O documento de 290 páginas redigido pelo promotor argentino Alberto Nisman, encontrado morto em seu apartamento segunda-feira, foi divulgado pelo Centro de Informação Judicial da Argentina, com graves acusações contra integrantes do governo. Nele, Nismam afirmou que o chanceler argentino Héctor Timerman foi “o principal instrumentador do plano” para encobrir participação do Irã em atentado a organização israelita que deixou 85 mortos em 1994, em Buenos Aires.

Na denúncia, Nisman garantiu que a presidenta do país, Cristina Kirchner, “não somente foi quem decidiu a articulação deste plano criminoso de impunidade e se valeu de diferentes atores para levar adiante sua execução”. O promotor também a acusou de liderar “campanha discursiva e midiática para camuflar a execução do delito”.

Na porta do Ministério Público em Buenos Aires%2C cartaz pede ‘justiça’ e faz agradecimento a NismanReuters

Ainda segundo a denúncia, Timerman “transmitiu ao Irã a decisão do governo argentino de abandonar a reivindicação de justiça pelo caso”. Outros nomes citados por Nisman foram os do deputado governista Andrés Larroque; dos militantes Luis D’Elía e Fernando Esteche; do ex-promotor do caso, Héctor Yrimia; e de um suposto espião, Ramón Allan Héctor Bogado.

O promotor também determinara mais investigações para definir o “papel exato” de outras pessoas, como o ministro do Planejamento Federal, Julio De Vido. Para Nisman, os funcionários pretendiam “conseguir a impunidade” dos acusados para “estabelecer plenas relações comerciais” com o Irã. “A presidente entendeu que o petróleo iraniano teria a capacidade de aliviar a severa crise energética que o país vem atravessando”, destacou Nisman.

O promotor foi encontrado morto horas antes de seu comparecimento no Congresso para ler a denúncia. Autópsia indicou suicídio com um tiro na cabeça. A morte gerou forte comoção na Argentina e é investigada hipótese de ele ter sido ‘induzido’ a se matar. Nisman não tinha pólvora nas mãos e a porta de serviço do apartamento não estava fechada com chave: poderia ter sido aberta em qualquer momento, segundo perícia.

Lavagem de dinheiro e evasão fiscal

Cristina Kirchner virou alvo de nova denúncia, ontem, segundo o jornal ‘La Nación’, Ela e Ricardo Echegaray, chefe da Receita local, são acusados de impedir que investigações sobre lavagem de dinheiro e evasão fiscal afetem o empresário Lázaro Báez, sócio da família presidencial. Na denúncia, o promotor federal Germán Moldes diz que empresas hoteleiras de Báez acusadas devem ser investigadas, assim como pessoas ligadas a ele comercialmente — como Cristina e seu filho, Máximo. “Alguém com grande poder deve dar as ordens para estes desvios acontecerem e Baez não se prejudicar”, diz a denúncia. As relações de Báez com a família presidencial são da época do governo Néstor Kirchner, marido de Cristina, que morreu em 2010.


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