Por felipe.martins

Rio - Há quase três anos afastado do emprego, Carlos Henrique Pacheco voltou a planejar a volta ao trabalho após se submeter a uma cirurgia inédita na rede estadual de saúde do Rio. Em 2012, ele perdeu o polegar esquerdo em um acidente de moto. Agora, passou por um reimplante, no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna). Em vez de prótese artificial, foi usado um dedo do pé do paciente.

A cirurgia aconteceu no último dia 17 e faz parte do programa SOS Reimplante. No caso de Carlos Henrique, auxiliar de depósito de 33 anos, médicos retiraram o segundo dedo do pé direito e colocaram no lugar do polegar. Segundo o coordenador do projeto, o microcirurgião João Recalde, o membro implantado terá circulação e sensibilidade normais. Em três meses e meio, o paciente fará os primeiros movimentos.

Carlos Henrique vai recuperar os movimentos e voltar a trabalharDivulgação

A cirurgia durou três horas e meia. Foram religados nervos, artérias e veias. Pinos de metal foram implantados, temporariamente, para garantir a calcificação. No mesmo procedimento, diz o médico, é feita pequena plástica no pé para que a ausência de um dedo não seja percebida.
“O polegar é o dedo mais importante e corresponde a 40% da função da mão. Uma das metas é trazer o paciente de volta às suas atividades”, disse, acrescentando que os movimentos do pé não ficam prejudicados. “A pessoa corre e anda normalmente”.

Carlos Henrique trabalhava como auxiliar de depósito e, nas horas vagas, fazia manutenção de piscinas.Assim que soube da técnica, pensou ser uma piada, porém pesquisou sobre o assunto e aceitou ser o primeiro paciente a passar pelo transplante. Foram dois anos de espera. “Não fiquei preocupado com a estética. Recuperar a função da mão foi o principal motivo”.

Requisitos para operação

Pacientes que perderam o polegar, ou mais de três dos demais dedos podem fazer o reimplante. É recomendado que a pessoa não tenha doenças como hipertensão e diabetes, seja jovem e não fumante. Segundo Recalde, basta ir ao Hospital de Saracuruna e não é necessário encaminhamento. “Temos uma demanda grande de pacientes que são elegíveis a esse procedimento, mas muitos ainda têm receio”, disse

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